É possível ter um falso positivo ou um falso negativo num teste PCR?

Os testes moleculares PCR são os mais sensíveis e fiáveis que existem. No entanto, apesar da fiabilidade próxima dos 100%, podem ocorrer problemas que podem levar a falsos positivos, como a contaminação de amostras, ou a falsos negativos. Na segunda-feira, Marcelo Rebelo de Sousa teve um resultado negativo e, mais tarde, um resultado a um teste PCR positivo e, de novo, um resultado negativo. Nesta terça-feira fez um novo teste mas não se conhece o resultado.

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Daniel Rocha

É possível ter um falso positivo num teste PCR?
A resposta é sim, é possível. Ainda que os casos de falsos positivos em testes PCR sejam extremamente raros e muito provavelmente sempre associados a algum tipo de contaminação da amostra ou no processo de análise no laboratório.

Qual é então a fiabilidade dos testes PCR?
A taxa de falsos negativos – um teste que diz que não se tem o vírus quando realmente se tem o vírus – varia dependendo do tempo de infecção. Geralmente, a taxa de falsos negativos é mais elevada se o teste for realizado nos primeiros dias de infecção. A taxa de falsos positivos – ou seja, quantas vezes o teste diz que se tem o vírus quando realmente não se tem – será próxima de zero. Assim, tal como já referimos, a maioria dos resultados de falsos positivos deve-se a contaminação no laboratório ou outros problemas na forma como foi realizado o teste.

Pode uma pessoa ter resultado negativo e depois positivo num teste PCR?
Sim, é possível. Pode ter resultado negativo se a amostra for colhida numa fase muito inicial da infecção e depois positivo durante a doença. Poderá também ser exposto à covid-19 após o primeiro teste e/ou estar numa fase muito inicial da infecção. No entanto, se o resultado for positivo, é bastante seguro que seja um verdadeiro positivo.

Pode uma pessoa ter resultado positivo e, logo a seguir, ter um resultado negativo num teste PCR?

Sim. Mas, se existir um resultado negativo logo a seguir a um PCR positivo, é possível que o negativo seja um falso negativo. 

O teste PCR pode detectar cargas virais muito baixas?
Sim. A sensibilidade do teste, dependendo também do número de ciclos de amplificação que foi usado para detectar a presença do material genético do vírus, permite detectar os chamados “casos subclínicos”, o que significa que a carga viral presente é muitíssimo baixa. Uma reduzida carga viral também pode existir numa fase final da infecção ou numa fase muito inicial. Por precaução, estes casos devem ser sujeitos às mesmas medidas de qualquer outro caso positivo.

Como funciona um teste PCR?
Os testes moleculares procuram o material genético que provém apenas do vírus. Estes testes usam uma técnica chamada “reacção em cadeia da polimerase”, ou RT-PCR, na sigla em inglês, para detectar a presença de ARN do vírus e que é detectado ainda que em muito pequenas quantidades.

O teste PCR pode falhar?
Os testes PCR são a mais fiável forma de detectar a infecção por SARS-CoV-2. Os estudos referem que estes testes têm sensibilidade e especificidade analíticas superiores a 95%, no entanto, não existe nenhum teste que possa ser considerado 100% exacto. Os testes PCR são o que temos mais próximo disso.

O teste PCR pode dar positivo porque detectou a presença de material genético de outro vírus?
Não. O teste baseia-se numa reacção química que repetidamente duplica certos segmentos alvo do ARN do vírus, até que haja o suficiente para ser detectado. Os segmentos alvo são cuidadosamente seleccionados para serem exclusivos do vírus SARS-CoV-2 e, portanto, ausentes de outro material genético – tecidos humanos ou outros agentes patogénicos – que possa estar presente em amostras respiratórias humanas. Isto significa que, com um teste bem concebido, podemos estar seguros de que qualquer reacção e duplicação ocorrem apenas com material genético do vírus SARS-CoV-2, e que não são produzidos falsos positivos como resultado da reacção do teste com algum outro material biológico.

Que tipo de testes existem e para que servem?
Além dos testes moleculares, conhecidos como PCR, existem ainda os testes de antigénio (que identifica fragmentos de proteínas [antigénio] do vírus) e que servem para testar uma infecção presente no momento do teste. Para detectar uma infecção que se teve no passado, mas que ainda pode estar em curso, existem os testes serológicos (que identificam os anticorpos específicos que o nosso organismo produz em resposta a esta infecção).

Que amostras são necessárias para realizar os diferentes testes?
Os testes moleculares e os de antigénio são geralmente realizados em amostras do trato respiratório superior, recolhidas com uma zaragatoa que é inserida no nariz ou na boca até à faringe. Os serológicos analisam componentes do sangue.