Irão: Guardas da Revolução revelam nova base de mísseis no Golfo

Comandantes militares iranianos exibem mísseis dias depois de Teerão ter anunciado que voltou a enriquecer urânio a 20%, numa clara violação do acordo nuclear de 2015.

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Os mísseis armazenados na base subterrânea dos Guardas da Revolução EPA

Os Guardas das Revolução iranianos, a poderosa força de elite muito próxima do supremo líder, relevaram a existência de uma nova grande base de mísseis numa localização secreta, ao longo da costa do Golfo Pérsico.

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Os Guardas das Revolução iranianos, a poderosa força de elite muito próxima do supremo líder, relevaram a existência de uma nova grande base de mísseis numa localização secreta, ao longo da costa do Golfo Pérsico.

Horas antes, os Estados Unidos tinham voltado a enviar dois bombardeiros B-52 com capacidade nuclear para a região, a quarta vez que isso acontece em dois meses. Citando “ameaças” de responsáveis iranianos, Washington anunciou ainda o recuo na decisão de fazer regressar à base o seu único porta-aviões no Médio Oriente, o Nimitz.

“A base é uma de várias que abrigam os mísseis estratégicos da Marinha dos Guardas”, afirmou o seu líder, major-general Hossein Salami, nas imagens transmitidas pela televisão estatal do Irão.

A inauguração da base surge na mesma semana em que Teerão disse ter voltado a enriquecer urânio a 20%, em violação do acordo nuclear abandonado por Donald Trump em 2018, e apenas dois dias depois de ter realizado o seu primeiro exercício militar com drones de fabrico nacional. As forças iranianas testaram drones de combate usados como bombardeiros, para interceptar outras aeronaves não tripuladas e em missões de reconhecimento.

Para além da vigilância, os drones iranianos podem largar munições e realizar missões kamikaze, quando carregados com explosivos e feitos voar na direcção de um alvo, explicou um responsável americano à agência Reuters.

Nas imagens transmitidas, vêem-se vários comandantes a entrar nas instalações subterrâneas, pisando as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel pintadas no chão, e a caminhar por túneis aparentemente intermináveis repletos de mísseis e de camiões equipados com lança-mísseis.

“Atrás de nós, podem ver uma coluna destes mísseis e os seus sistemas de lançamento. Estas colunas prolongam-se por quilómetros”, diz Salami. O ano passado, os Guardas da Revolução disseram ter construído “cidades de mísseis” subterrâneas na costa, avisando que constituem um “pesadelo para os inimigos do Irão.

O aumento de tensões entre iranianos e americanos coincidiu com o primeiro aniversário da morte do general Qassem Soleimani (comandante da Al-Quds, uma unidade de elite dentro dos Guardas da Revolução), assassinado num ataque ordenado por Trump em Bagdad. E segue-se ao assassínio do físico nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh, numa auto-estrada perto de Teerão, uma operação que o regime atribui a Israel.

O assassínio de Fakhrizadeh teria como objectivo dificultar provocar os iranianos e assim prejudicar as intenções do Presidente, Hassan Rohani, que admite um regresso ao cumprimento do acordo nuclear se os EUA levantarem as sanções, e de Joe Biden, que quer voltar a negociar com Teerão e fazer regresso o país ao pacto internacional alcançado em 2015.