Costa admite novo confinamento (com escolas abertas). Circulação proibida este fim-de-semana

Circulação entre concelhos estará proibida a partir das 23 horas de sexta-feira e até às 5 horas de segunda-feira. Haverá ainda recolher obrigatório às 13h em todos os concelhos com mais de 240 novos casos por 100 mil habitantes – medida só não se aplica em 25 municípios. E novas restrições podem chegar para a semana.

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António Costa admitiu que pode ser necessário um novo confinamento Manuel de Almeida/Lusa

A partir das 23 horas desta sexta-feira, a circulação entre concelhos volta a estar proibida em todo o território continental e só será levantada na segunda-feira depois das 5 horas. Já o recolher obrigatório será mantido na generalidade dos municípios (mas há excepções). A proibição de circulação na rua a partir das 13h manter-se-á em todos os concelhos com mais de 240 novos casos por 100 mil habitantes, que durante o fim-de-semana continuarão com as medidas de restrição mais apertadas aplicadas no último fim-de-semana. Além do recolher obrigatório a partir da 13h, quer no sábado, quer no domingo, os municípios em risco elevado, muito elevado e extremamente elevado continuarão com o comércio e a restauração encerrados. A excepção vai para uma lista de 25 concelhos que estão em “risco moderado” de contágio e por isso apenas terão de cumprir a proibição de circulação entre concelhos (não estando sujeitos ao recolher obrigatório). 

Mas a expectativa é que a próxima semana traga ou um novo confinamento para todo o território continental (à semelhança do que aconteceu em Março de 2020, quando a pandemia chegou ao país), ou a extensão das restrições actualmente em vigor ao fim-de-semana para o resto dos dias. O aviso foi feito esta quinta-feira pelo primeiro-ministro, em conferência de imprensa após reunião do Conselho de Ministros, e reflecte não só o elevado aumento de casos diários, como a vaga de frio que o país atravessa e que está a pressionar a capacidade resposta dos cuidados de saúde.

Em resposta aos jornalistas, António Costa admitiu: “As medidas que temos adoptado não são suficientes [para combater a pandemia].” Por isso o agravamento das restrições está a ser preparado e tudo indica que deverá arrancar na terça-feira, data em que os representantes e responsáveis políticos ouvirão os especialistas de saúde na reunião do Infarmed. A grande diferença em relação ao confinamento de Março será relativamente às escolas, que se deverão manter abertas e com aulas presenciais, afirmou o primeiro-ministro.

“O que temos feito até agora é incidir nas medidas durante o fim-de-semana. Dar um passo em frente é estendê-las ao período semanal, como fizemos em Março do ano passado – mas não quero antecipar medidas. E a esperança é a última coisa a morrer. Vamos manter a esperança de que os números de ontem e de hoje sejam um ajustamento e que os dados até dia 12 [data em que haverá nova reunião com os especialistas de saúde] não confirmem o que esperamos”, declarou, evitando comprometer-se com a divulgação das próximas restrições. 

Ouvir os partidos, conversar com Marcelo

Caso os dados dos próximos dias confirmem a tendência de crescimento de casos diários (a rondar os 10 mil novos casos por dia) dos últimos dias, António Costa quer estar preparado para “fechar” o país em casa assim que tenha o apoio dos especialistas de saúde. Por isso, o primeiro-ministro está já agendar para esta sexta-feira várias reuniões com carácter “de emergência” quer com os parceiros sociais, quer com os partidos políticos com assento parlamentar, em que serão “estudadas várias conjunturas” e as respectivas diferentes respostas e na próxima terça-feira avançar com decisões imediatas, que possam até “ser aplicadas no próprio dia”. “Cada dia pode contar e por isso é útil não esperar pelo próximo dia 15 (data em que termina o estado de emergência renovado esta quarta-feira) para tomarmos novas decisões”, justificou.

António Costa também espera conversar com Marcelo Rebelo de Sousa sobre esta matéria, mas avisa: “A confirmar-se a evolução [dos números,] muito provavelmente na próxima semana teremos de adoptar medidas de restrição mais elevadas, tal como tem vindo a acontecer na generalidade dos países da Europa.”

Eleições presidenciais mantêm-se

Questionado sobre o impacto das novas restrições na realização da campanha eleitoral e das eleições presidenciais, a 24 de Janeiro, António Costa quis “deixar claro” que “a lei do estado de emergência, que vigora desde 1986, não permite qualquer tipo de restrição à actividade política”. Por isso, não haverá nenhuma interdição às campanhas eleitorais, ainda que espere que todos os candidatos ajustem a sua campanha eleitoral “às circunstâncias próprias” que o país atravessa.

O primeiro-ministro está confiante de que “existem condições” para que as eleições se realizem com toda a segurança, dando o exemplo das eleições regionais dos Açores.