Aumento de casos no Alentejo e vários surtos colocam hospitais sob pressão

Hospital do Espírito Santo, em Évora, a braços com o “extraordinário” aumento de pessoas infectadas. Hospital de Beja sem “capacidade de internamento” de doentes na área de cuidados intensivos dedicada à covid-19. Vários surtos em lares.

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ANTONIO CARRAPATO / PUBLICO

O boletim da Direcção-Geral da Saúde desta segunda-feira mostra um aumento de casos na região do Alentejo: 383 em 24 horas, um aumento de 3,3% face ao dia anterior e que representa uma das maiores subidas das últimas semanas na região. Évora acolhe, de resto, três dos cinco concelhos do país com maior taxa de incidência de covid-19 nos últimos 14 dias. E no fim-de-semana o Hospital do Espírito Santo, em Évora (HESE), entrou em ruptura, obrigando a deslocar doentes para os hospitais de Beja e Portalegre.

A região alentejana parece estar a sofrer os efeitos da deslocação de pessoas que vieram juntar-se aos familiares para passar a quadra festiva. Tornou-se patente na semana que antecedeu o Natal a “folga” nos comportamentos — a máscara só era usada quando se entrava no supermercado, ou nas lojas para as compras — e no distanciamento dos que conviviam nas esplanadas dos cafés aproveitando os dias soalheiros que privilegiaram o Natal e o Ano Novo.

Informações veiculadas pelo concelho de administração do HESE referem que no sábado à noite estavam internados no HESE “69 doentes com covid-19”. Destes, “oito” encontravam-se internados na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), o maior número registado durante a pandemia.

A enfermaria covid-3 desta unidade hospitalar que entrou em funcionamento no dia 23 de Dezembro com 20 camas “já está lotada e o espaço da enfermaria covid-1 foi alargado, obrigando a deslocar os doentes para as instalações da futura UCI, num total de dez camas, mas que já se encontra praticamente lotada”, adiantou o comunicado do HESE.

No último domingo a pressão a que foi sujeito o hospital Évora com o “extraordinário” aumento de pessoas infectadas ou de casos suspeitos levou a que os novos doentes deixassem de poder ser encaminhados para a Área Dedicada aos Doentes Respiratórios do Serviço de Urgência Geral da unidade hospitalar. Ao centro de orientação de doentes urgentes (CODU) foi dada a indicação de que os doentes com covid-19, ou com sintomas suspeitos, “não deveriam ser encaminhados para o HESE”.

Foi assim determinada a deslocação de novos doentes infectados e de casos suspeitos para os hospitais de Portalegre e de Beja. A presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), Conceição Margalha, adiantou à Lusa que desde sábado à tarde e até às 8h desta segunda-feira, o hospital de Beja recebeu e observou 15 utentes vindos do hospital de Évora.

Com o afluxo de doentes vindos de Évora a unidade hospitalar de Beja deixou de ter “capacidade de internamento” de doentes na área da UCI dedicada à covid-19, porque está cheia, já que as quatro camas existentes estão ocupadas. Também o Serviço de Medicina dedicado à covid-19, só tem “disponíveis cinco das 24 camas existentes” acrescentou aquela responsável.

Igualmente mobilizado para dar apoio ao hospital de Évora foi o Hospital de Portalegre, anunciou em comunicado a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA).

Por todo o Alentejo as notícias de ocorrências associadas a pessoas infectadas e casos suspeitos multiplicam-se. Em Montemor-o-Novo há um surto num lar com 54 casos e outro em Moura, no Serviço de Urgência Básica de Moura (SUB). Estão confirmados, neste último concelho, dez casos activos encontrando-se a maioria dos restantes profissionais deste serviço em vigilância. A situação levou à escassez de recursos humanos, o que comprometeu o normal funcionamento da SUB, tendo a ULSBA decidido encerrar, no último sábado, o SUB de Moura que reabriu às 16h de domingo, para funcionar todos os dias, entre as 8h e as 24h, com consultas de recurso, asseguradas por um médico e um enfermeiro.

Em Évora há casos em nove lares e mais de 300 utentes com covid-19. Corporações de bombeiros estão igualmente infectadas. O caso mais problemático verifica-se na corporação do Redondo que está encerrada desde sexta-feira. A população está a ser socorrida por corporações vizinhas.

O concelho de Serpa passou a estar abrangido pelas medidas gerais e especiais aplicáveis aos concelhos de risco muito elevado. Um idoso de 86 anos foi a 15.ª vítima mortal do surto de covid-19 no lar da Santa Casa da Misericórdia de Serpa, que já infectou 92 pessoas, das quais 75 utentes (15 dos quais morreram) e 17 funcionários.

No lar Misericórdia de Mértola já morreram oito pessoas e há a registar mais de uma centena de infectados, e o concelho de Beja contabiliza, neste momento, 243 casos activos, refere em comunicado a câmara local, concluindo que desde o início da pandemia já se registaram 22 óbitos.