Seis dicas para a próxima entrevista de emprego — e o que fazer antes, durante e após

Pesquisar a fundo a empresa, chegar a horas e com a roupa apropriada, quebrar o gelo com conversa de circunstância e insistir: eis alguns conselhos que a recrutadora Sara Almeida tem para quem tem uma entrevista de emprego.

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Crew/Unsplash

O dia chegou: após teres perdido a conta aos currículos e às cartas de motivação anexados aos emails mais bem estruturados que alguma vez escreveste, chamaram-te para uma entrevista. Ufa, que alívio. Pode ser desta. Na maior parte dos casos, chegar a este ponto não é fácil e pode ser frustrante. Mas isso não significa que, agora, te baste descansar e esperar que o dia da entrevista chegue. Muito pelo contrário — há trabalho a fazer para aumentares as probabilidades de conseguires aquele emprego. E a recrutadora Sara Almeida, da Remote, tem alguns conselhos que te podem ser valiosos.

Não é a tua crush, mas também podes saber tudo sobre esta empresa

Está na hora da investigação. Abre o teu navegador e as abas que forem necessárias: é tempo de conhecer esta empresa ao máximo. “É importante fazer bastante pesquisa. Para além dos valores e da estratégia, deves pesquisar qualquer notícia em que a empresa tenha sido referida e ver se há informação para retirar dali”, explica a recrutadora. E também podes optar por “falar com pessoas que lá trabalhem”, que te poderão ajudar a compreender como as coisas funcionam ali. Poderás encontrá-las, por exemplo, via LinkedIn — inclusive a pessoa que te irá entrevistar. “Não acho que seja invasivo. Havendo um contacto anterior, podes aproveitar para pedir sugestões, por exemplo”, aconselha Sara Almeida. Assim, quando te perguntarem o porquê de te candidatares àquela vaga, poderás dar uma resposta com pés e cabeça, mostrando que és o candidato ideal da cabeça aos pés. E saberás o nome do teu entrevistador. Já que aqui estamos, aproveita para rever o teu currículo com antecedência.

O que vestir?

“Esta é uma questão complicada. Depende da empresa”, responde a recrutadora. Quer isto dizer que a escolha do teu outfit também poderá estar ligada à longa pesquisa a fazer nos dias que antecipam a entrevista. Ou seja: “Há empresas em Portugal que são um pouco mais rígidas. Em instituições financeiras e governamentais, por exemplo, existem certas regras.” Mas o que fazer quando não sabes se podes vestir o que te apetecer para uma entrevista? “É uma boa questão para fazeres ao recrutador através de um email” ou quando sabes que foste seleccionado para a entrevista.

Chega a horas (não em cima da hora) 

É bom planeares a viagem até ao local onde a entrevista decorrerá. Para lá chegares, podes ter de usar transportes públicos ou encontrar um lugar de estacionamento relativamente próximo. Consulta os horários necessários, perde-te nas aplicações de mapas, consulta os preços dos parques de estacionamento e não te esqueças que podes ficar preso no trânsito. Por isso, sai de casa a horas. “Aconselho o candidato a chegar ao local a 10 minutos da hora marcada. Assim, podes relaxar, beber algo, descansar.” E também podes aproveitar para recapitular a matéria que estudaste sobre a empresa. Relaxa, vai tudo correr bem.

Quebrar o gelo (com o tempo e não só)

Já experienciaste este constrangimento num elevador ou na paragem do autocarro. Mas na entrevista tens mesmo de falar, não é? Se te sentes algo intimidado ou nervoso, começa por quebrar o gelo. Sim, podes fazer um comentário sobre o tempo, mas há outras formas de iniciar conversa. “Se a entrevista for a uma segunda-feira, podes perguntar sobre o fim-de-semana do recrutador. E dizes que leste um livro ou viste uma série interessante”, exemplifica Sara Almeida. Desta forma, estás a passar mais informação sobre ti ao recrutador e “isto acaba por ajudar no processo da entrevista”. “Não tenham medo da conversa de circunstância. É um ser humano, apesar da diferença nas posições. E tira a pressão do momento.”

Entrevista quem te entrevista

Sara Almeida lembra: “Não te esqueças de que não és só tu o entrevistado. Também deves fazer perguntas.” Por isso, deves focar-te “naquilo que podes oferecer” e perguntar, por exemplo, “o que é necessário para se ser bem-sucedido” no cargo a que te candidatas, bem como o que poderá faltar à empresa na área da vaga anunciada. Deves ter em atenção a forma como o entrevistador “está a conduzir” a conversa. Coloca questões quando sentires que é o momento certo — especialmente quando o tema for o salário. “Numa primeira instância, pode cair mal abrir a conversa com essa pergunta ou a meio, do nada, falar disso. Deve escolher-se o momento certo”, explica. Assim, evitas passar a impressão de que “não estás interessado no valor que podes trazer para a empresa, mas sim na remuneração”. Já agora: não mintas sobre as tuas capacidades.

Se não tiveres resposta, insiste. E volta a insistir

Investiste tempo na preparação para a entrevista, gastaste dinheiro em transportes… e, semanas depois, não tiveste nenhuma resposta. Será que aquela empresa fez ghosting? Não esperes que passem semanas: “Um dia após a entrevista, envia um email para a pessoa que te entrevistou. Diz que achaste alguns dos pontos abordados na conversa muito interessantes, que ficaste entusiasmado.” E se tiver passado demasiado tempo sem receberes uma resposta (positiva ou negativa), deves enviar um outro email. Caso não te respondam, a recrutadora aconselha a utilização da plataforma Glassdoor (onde trabalhadores e ex-trabalhadores avaliam, anonimamente, as empresas) para se deixar uma crítica. Por fim, se recebeste uma resposta negativa, podes perguntar o porquê de não teres sido o candidato escolhido e o que podes fazer para melhorar. Se foste seleccionado, parabéns.