Líder vai queixar-se à ERC da sondagem que dá o CDS à beira do fim

Entre os críticos da direcção as opiniões divergem, entre os que defendem que Rodrigues dos Santos deve levar o mandato até ao fim e os que consideram que deve existir uma disputa interna a curto prazo de modo a que o CDS se apresente nas autárquicas com um novo rosto

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Francisco Rodrigues dos Santos José Sena Goulão/Lusa

Se a sondagem da Aximage para o DN/TSF/JN reflectir correctamente o sentimento do eleitorado, então o CDS está a um passo da extinção. As sondagens desastrosas têm sido uma constante para o partido liderado por Francisco Rodrigues dos Santos – que obteve 4% nas últimas legislativas, resultado que precipitou a demissão de Assunção Cristas.

Rodrigues dos Santos admitiu que vai recorrer à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) para se queixar da sondagem. Em publicação no Facebook, escreve que a empresa de sondagens “decidiu antecipar o Carnaval e começou a ensaiar umas palhaçadas”, disse que se tratava de “uma sondagem de alfaiate, feita à medida de quem manda, na qual dá o PS a subir – apesar dos recentes escândalos – e o CDS, que os tem denunciado, a descer para os 0,3%. Afirma que vai “instar a ERC para que tome as medidas que se impõem para regular os procedimentos das empresas de sondagens, para evitar truques, falta de rigor técnico e ‘palhaçadas’”.

A verdade é que, um ano depois de ser eleito presidente do CDS, as sondagens negativas perseguem o mandato de “Chicão”. Os maus resultados têm sido atribuídos a um alegado problema de sondagens, à comunicação social e aos que não o apoiaram, nomeadamente o grupo parlamentar que, supostamente, andaria a prejudicar a direcção. Do lado dos críticos, a descida nas sondagens reflecte apenas aquilo a que consideram ser a falta de vocação de Francisco Rodrigues dos Santos para o cargo.

Não é previsível que haja quem queira discutir o partido até às Presidenciais. Num artigo no PÚBLICO publicado no sábado, Francisco Mendes da Silva, que se demitiu da distrital de Viseu do CDS, propôs que Francisco Rodrigues dos Santos seja candidato à Câmara de Lisboa – à semelhança do que fizeram Assunção Cristas e Paulo Portas. Uma proposta que elementos próximos da direcção consideram mais uma acha para a fogueira onde os críticos desejam queimar o líder.

A verdade é que, a avaliar pelas recentes sondagens, o risco da extinção do CDS parece iminente. O problema é que entre os críticos da direcção as opiniões divergem, entre os que defendem que Rodrigues dos Santos deve levar o mandato até ao fim (Janeiro de 2022) e os que consideram que deve existir uma disputa interna a curto prazo de modo a que o CDS se apresente nas autárquicas com um novo rosto. Se esta última teoria vingasse, teria que ser pedida a convocação de um conselho nacional nos primeiros três meses a seguir às presidenciais que convocasse um congresso extraordinário.

Em entrevista em Novembro ao Observador, o deputado João Gonçalves Pereira avançou com o nome de Cecília Meireles para a liderança do CDS. No último conselho nacional, Raul Almeida, dirigente nacional do CDS, exortou a deputada a deixar o Parlamento para dar lugar a Francisco Rodrigues dos Santos, que vem a seguir na lista do Porto. Com sondagens de 0,3, o ambiente é de choque no partido. Mas, enquanto houver partido, tudo – resultados das sondagens e a própria liderança pode mudar.