Herdade da Torre Bela apresenta queixa-crime junto do Ministério Público

“A Herdade da Torre Bela foi a única entidade fortemente lesada, no seu património e reputação, pela realização de uma montaria ilegítima e abusiva na sua propriedade, no passado dia 17 de Dezembro”, lê-se no comunicado.

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A Herdade da Torre Bela apresentou uma queixa-crime junto do Ministério Público contra a empresa Monteros de la Cabra, que organizou uma montaria, a 17 e 18 de Dezembro, da qual resultou a morte de 540 animais. Um grupo de 16 caçadores espanhóis participou no evento.

O comunicado da herdade, dando conta da queixa, surge no dia em que o Ministério Público anunciou que abriu um inquérito à matança de veados e javalis na Herdade da Torre Bela, na Azambuja.

“A Herdade da Torre Bela foi a única entidade fortemente lesada, no seu património e reputação, pela realização de uma montaria ilegítima e abusiva na sua propriedade, no passado dia 17 de Dezembro”, lê-se no comunicado. “É hoje absolutamente evidente que esta caçada ocorreu em inequívoca violação dos direitos de caça adquiridos e ultrapassando os limites acordados por contrato com a entidade exploradora da caçada, limites fixados pela Zona de Caça Turística em conformidade com o permitido pela licença e pelo plano de gestão por si aprovado e que se encontrava à data em vigor.”

A Herdade da Torre Bela garante que tem colaborado de forma estreita e permanente com todas as autoridades e que apresentou junto do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, na semana passada, “um conjunto de informações entretanto obtidas que permite melhor avaliar os factos que estiveram na origem das referidas violações e da forma irregular com que decorreu a montaria”.

“Tendo por base as provas recolhidas, a Herdade da Torre Bela já apresentou uma queixa-crime junto do Ministério Público contra a entidade promotora da referida caçada (a empresa Monteros de la Cabra e o seu responsável Mariano Morales) e contra desconhecidos, através do seu advogado Dr. Alexandre Mota Pinto, do escritório Uría Menéndez Proença de Carvalho.”

O comunicado sublinha ainda que a herdade “repudia vivamente" a montada em causa.

Na passada semana o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, já tinha adiantado publicamente que se podia estar na presença de um crime, revelando que o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas iria apresentar queixa ao Ministério Público: “Há princípios básicos da lei de bases do ambiente que foram desrespeitados”. Uma porta-voz do instituto disse ao PÚBLICO que notificou o Ministério Público a 23 de Dezembro.