Marcelo Rebelo de Sousa tirou “uma lição” nos últimos anos: “A democracia nunca está adquirida”

Há um ano, o Presidente da República dizia estar preocupado com a sobrevivência da imprensa. Hoje, Marcelo Rebelo de Sousa nota alguns passos, mas acrescenta outros receios. A literacia mediática, por exemplo, mostrou-se fundamental para enfrentar uma pandemia. Mas ainda estamos todos a aprender, diz.

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Marcelo Rebelo de Sousa elogiou a iniciativa do PÚBLICO e deu ideias para as próximas edições Miguel Manso

As preocupações de Marcelo Rebelo de Sousa com a sobrevivência da imprensa são hoje diferentes do que eram há um ano. Para lá das dificuldades económicas e financeiras, “houve outros factores de preocupação se se pensar na qualidade da democracia portuguesa”, sublinhou o Presidente da República esta sexta-feira, na cerimónia de encerramento do “Dia P da Literacia Mediática”. E isso acarreta riscos para a democracia: “A democracia nunca está adquirida. Tem de ser afirmada todos os dias”, avisou.

No lançamento da segunda série do PSuperior, uma iniciativa destinada a promover a literacia mediática nos estudantes universitários, Marcelo Rebelo de Sousa destacou duas dificuldades: o acesso à informação e formação, quer no que diz respeito a jornais, quer no que diz respeito a livros; e comunicar uma realidade em transformação e desconhecida como a pandemia covid-19. “Não tínhamos a tradição de uma literacia da Saúde”, notou. “Tivemos de aprender a fazer, fazendo”, justificou o Presidente da República e filtrar “o torrencial de informação” que chega de todo o lado, “mais credível ou menos informado”, exige literacia mediática.

“Há quem diga que um dos problemas desta pandemia é a dificuldade da comunicação e é verdade”, reconheceu, acrescentando que a imprevisibilidade e mudança da covid-19 justificam essa complexidade. “É uma aprendizagem que todos estamos a fazer. E isso é mais visível nos políticos”, disse, dando exemplo das informações contraditórias dadas pela própria Organização Mundial de Saúde acerca do uso das máscaras e dos testes e deixando no ar a discussão em torno da distribuição das vacinas contra a pandemia.

O ex-professor universitário deixou até ideias para futuras edições do PSuperior, sugerindo a criação de quotas de assinaturas também para professores e para estudantes seniores, alargando o universo de beneficiários.

O evento contou também com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, com o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, António Sousa Pereira e do secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva.