Furacões, secas e outros desastres ligados ao clima provocaram mais de 410 mil mortes na última década

Relatório foi divulgado numa altura em que dois fortes furacões atingem a América Central, levando a dezenas de milhares de deslocados.

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Nas Honduras houve mais de 100 mil deslocados GUSTAVO AMADOR/EPA
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Inundações em Cartagena, Colômbia, por causa da passagem do Iota RICARDO MALDONADO ROZO/EPA
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Pelo menos três mortos e 12 desaparecidos nas avalanches provocadas pela passagem do furacão no Noroeste da Colômbia Government of Antioquia HANDOUT/EPA
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Milhares de pessoas foram levadas para abrigos improvisados RICARDO MALDONADO ROZO/EPA
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Rastro de destruição em Cartagena de Índias, Colômbia RICARDO MALDONADO ROZO/EPA
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As pessoas tentaram salvar alguns dos seus pertences do avanço das águas JORGE CABRERA/Reuters

Desastres provocados pelas alterações climáticas como tempestades, ondas de calor ou inundações deixaram pelo menos 410 mil mortos na última década, segundo um relatório da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) citado pela agência Europa Press.

No seu World Disaster Report, a Cruz Vermelha diz que as alterações climáticas são o maior desafio global do planeta: estes representam 83% de todos os desastres dos últimos dez anos.

Estes fenómenos registaram um aumento de 35% desde os anos 1990. Deixaram, a cada ano, mais de 100 milhões de pessoas a precisar de ajuda e esse número vai duplicar dentro dos próximos 30 anos, destaca por seu lado o jornal australiano Sydney Morning Herald.

As ondas de calor foram os fenómenos que mais mortes causaram, seguidas de tempestades.

O relatório é divulgado quando o furacão Iota, o mais forte da temporada deste ano no Atlântico, está a passar por zonas já atingidas por outro furacão, o Eta, que começou a 3 de Novembro. A época de furacões deste ano tem sido especialmente activa, sublinha o diário norte-americano The Washington Post. Esta é a primeira vez que se formam dois furacões na bacia do Atlântico em Novembro (já no final da época) desde que começou a haver registos, em 1851, nota a Reuters. 

Entrando na cidade de Haulover, Florida, o Iota deslocou-se para a Nicarágua onde atingiu localidades piscatórias e agrícolas, com ventos a chegar a 250 km/h. Parte das operações de evacuação foram dificultadas pelos efeitos do Eta, com pontes destruídas e estradas sem grandes condições para trânsito. Foram deslocadas 40 mil pessoas.

Na Colômbia, o Presidente, Iván Duque, disse que na ilha de Providência, entre a Jamaica e a Costa Rica, onde o furacão passou antes de chegar ao continente, os estragos são enormes. “Temos de nos preparar para a destruição total das infra-estruturas.”

O Iota perdeu entretanto força ao entrar esta terça-feira nas Honduras, onde o Eta tinha provocado deslizamentos de terra e lama que fizeram mais de cem mortos. Cerca de 100 mil pessoas foram obrigadas pelas autoridades a deixar as suas casas e procurar abrigo em locais seguros.

“O problema é que os abrigos já estão cheios por causa do Eta”, comentou Maite Matheu, directora da organização não governamental Care nas Honduras.

“Não estamos a ganhar”

As Honduras foram dadas como exemplo pela Cruz Vermelha de uma falha na atribuição de fundos destinados à adaptação climática: os países que mais precisam não são os que mais recebem. O país recebe apenas um euro por pessoa, uma quantia que a Cruz Vermelha classifica como “totalmente desadequada”.

“Esta desconexão [entre os países que mais precisam e os países que mais recebem] pode custar vidas”, disse o secretário-geral da FICV, Jagan Chapagain. “A nossa responsabilidade é proteger as comunidades que estão mais expostas e vulneráveis aos riscos climáticos.”

No âmbito geral, “mesmo que tenhamos pequenas vitórias todos os dias, não estamos de modo nenhum a ganhar”, sublinhou o responsável. “Não estamos no caminho certo para fazer as mudanças que precisam de ser feitas, nem de as fazer a tempo.”

O relatório argumenta, por outro lado, que há uma oportunidade neste momento, com os pacotes de ajuda à pandemia, que poderiam servir como oportunidade para reduzir a vulnerabilidade climática.

“A adaptação climática não pode ficar para trás quando o mundo está preocupado com a pandemia”, disse ainda Chapagain. “Ambas as crises têm de ser abordadas de modo conjunto. Estes desastres já estão às portas de cada país em todo o mundo.”