Tempestade Eta deixa muitas dezenas de mortos na América Central

Com uma passagem violenta pela Guatemala e pela Nicarágua, a tempestade vai provocar “inundações catastróficas” em várias áreas durante o fim-de-semana.

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Na quinta-feira, centenas de pessoas esperavam por ajuda no município de La Lima, nas Honduras Reuters/JORGE CABRERA

O Eta, que começou como furacão e foi reclassificado como depressão tropical, continua a avançar na América Central, onde já deixou um rastro de mais de cem mortos, a grande maioria na Guatemala. A tempestade provocou chuvas torrenciais, deslizamentos de terra e enormes inundações, obrigando ao deslocamento de mais de 300 mil pessoas e transformando ruas de várias cidades em violentos cursos de água.

Uma das maioria tempestades a afectar a América Central em anos, a Eta atingiu a Nicarágua como um furacão de categoria 4 na terça-feira, com ventos de 240 km/hora antes de enfraquecer à medida que avançava para o interior e chegava às Honduras.

Segundo as previsões, deverá fortalecer-se ao longo desta sexta-feira nas Caraíbas para ameaçar Cuba e Jamaica durante o fim-de-semana, prevendo-se que chegue ao Golfo do México no início da próxima semana.

Dezenas de guatemaltecos soterrados 

Mais de 50 de pessoas morreram nas aldeias indígenas do Norte da Guatemala em deslizamentos de terra causados pelas chuvas, anunciou o Presidente, Alejandro Giammattei, na quinta-feira à noite, admitindo que o número de mortos possa aumentar nas próximas horas. Metade das vítimas vivia na aldeia de Quejá, no Norte do país, a 200 km da Cidade de Guatemala, numa zona onde se teme que dezenas de pessoas continuem soterradas debaixo dos escombros das suas casas.

Sem estradas transitáveis, os trabalhos de resgate tiveram de ser interrompidos durante a noite e previa-se o envio de helicópteros na manhã desta sexta-feira, ao mesmo tempo que o Exército estava a tentar chegar a pé até às zonas afectadas.

Para além de Quejá, mais de 60% da cidade de Puerto Barrios, no Leste do país, está inundada e esperam-se mais 48 horas de chuva.

A depressão fez pelo menos 13 mortos nas Honduras, cinco no Panamá, dois na Costa Rica e dois na Nicarágua. Há vídeos nas redes sociais onde se vêem canoas a percorrer ruas da cidade hondurenha de San Pedro Sula, onde muitos tinham encontrado refúgio nos telhados.

“Esta é a pior tempestade que as Honduras viram em décadas. Os estragos serão significativos, sem qualquer dúvida”, disse à Reuters Mark Connolly, representante da UNICEF naquele país, estimando que mais de 1,5 milhões de crianças possam ser afectadas pela passagem da tempestade Eta.

Deslizamentos de terra vão continuar

“A situação é grave, é chocante e precisamos de a enfrentar com profissionalismo e depressa”, disse o Presidente das Honduras, Juan Orlando Hernández, em declarações à televisão HCH, explicando que a destruição afecta a “vasta maioria” do país e serão enviadas lanchas rápidas e helicópteros para resgatar pessoas em áreas inacessíveis.

“Daqui até segunda-feira, as fortes chuvas causadas pela Eta vão provocar inundações catastróficas e perigosas em várias partes da América Central, assim como deslizamentos de terra”, alerta o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos. Prevê que a depressão volte a ganhar força nas águas quentes do mar das Caraíbas, antes de ameaçar o Sudeste do México, depois Cuba, a Jamaica, as ilhas Caimão e em seguida o Sul da Florida.