Suécia com mais restrições por causa da covid-19: “Todos os indicadores estão no caminho errado”

Primeiro-ministro pede a todos que cumpram as recomendações, com o número de infecções e internamentos a aumentar, e sem sinais de que haja uma imunidade maior na população.

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Bares e restaurantes que sirvam bebidas alcoólicas vão passar a encerrar às 22h TT NEWS AGENCY/Reuters

Com os números da pandemia a irem “todos na direcção errada”, o Governo sueco decidiu impor uma nova restrição por causa da covid-19: bares e restaurantes que sirvam bebidas alcoólicas vão ter de fechar às 22h a partir de 22 de Novembro, anunciou o executivo. 

É uma diferença no que tem sido até agora a abordagem das autoridades suecas, que se tem baseado em recomendações à população com muito poucas restrições obrigatórias. Mas depois de um Verão em que parecia que o país estava numa situação melhor face à pandemia do que o resto da Europa, agora é claro que “os indicadores estão todos no caminho errado”, disse o primeiro-ministro, Stefan Löfven. 

Em mais um dia de recorde de infecções, a agência de saúde registou esta sexta-feira 5990 novos casos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, o maior número desde o início da pandemia. No princípio do mês já tinha havido outro recorde, 4697 novas infecções.

Quanto às mortes, foram declaradas 42, elevando o total para 6164, um número muito superior ao dos vizinhos nórdicos  mas abaixo da taxa de letalidade de Espanha ou Reino Unido, por exemplo.

Esta semana, o país andou perto dos Estados Unidos na taxa de casos confirmados por milhão de habitantes, chegando a ultrapassá-la (441 na Suécia, 394 nos EUA; esta quinta-feira era de 423 na Suécia e 425 nos EUA).

Dados do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças dizem que o aumento das últimas semanas na Suécia pode ser o crescimento mais rápido da Europa, segundo o diário britânico The Guardian

Menos imunidade 

Isto acontece ainda quando as autoridades de saúde indicaram que a imunidade não é tão alta com esperavam. O epidemiologista-chefe Anders Tegnell sempre garantiu que o seu objectivo não era chegar à imunidade de grupo, mas sim evitar medidas que não pudessem ser mantidas a médio prazo. 

Mas Tegnell também vinha antecipando que não tendo feito confinamento, a Suécia poderia não sofrer uma segunda vaga tão forte como a dos vizinhos, pelo esperado maior nível de imunidade. E por isso a notícia de que os números da imunidade estão abaixo do antecipado são um revés. 

Na semana passada, 20% dos testes levados a cabo na capital deram positivo, comparando com 16% e 8,4% nas semanas anteriores, segundo a agência de notícias TT.

Comentando os novos dados e as novas medidas, Tegnell constatou o “grande aumento na semana passada” e admitiu que esta semana haveria nova subida, embora manifestasse esperança de que talvez não fosse tão grande.

Grande parte dos novos casos, adiantou, são fruto de festas privadas. Por isso, o epidemiologista disse esperar que as restrições aos bares agora anunciadas não levem as pessoas fazer mais festas em casa.

Lares de novo sem visitas

Os hospitais estão a tratar 1.004 doentes com covid-19, um aumento de 60% em relação aos 627 da semana passada, segundo o Guardian.

“Consideramos esta situação extremamente grave”, disse o director dos serviços de saúde e cuidados médicos de Estocolmo Björn Eriksson, à televisão SVT. “Esperamos que haja mais pessoas ainda a precisar de cuidados médicos no decorrer das próximas semanas”, acrescentou.

Já na semana passada, o Governo tinha anunciado novas recomendações para uma série de regiões em risco, incluindo Estocolmo, onde foram novamente banidas as visitas aos lares (esta tinha sido a única proibição imposta no início da pandemia, e depois relaxada para visitas ao ar livre, e finalmente suspensa a partir de Setembro, quando foram permitidas as visitas sem restrições).

As recomendações são que as pessoas não façam festas em casa ou vão a festas de outros, que evitem locais interiores como lojas e museus, e que também não façam viagens desnecessárias de transportes públicos. O Governo pediu ainda às empresas para tomarem mais medidas para proteger os seus funcionários e permitirem o teletrabalho (algo que é já comum no país).

Há uma semana, Tegnell disse que os suecos “devem agora limitar realmente o contacto próximo à família imediata”.​

Falando aos suecos esta quinta-feira, Löfven pediu a todos que contribuíssem para a contenção da pandemia.

“Houve mais pessoas a relaxar no Outono, não há dúvidas sobre isso. Mais pessoas a achar que uma saída à noite não tem mal, um dia às compras no centro comercial talvez não tenha significado, que a sua festa de aniversário não vai fazer qualquer diferença, nem a sua reunião, mas, infelizmente, faz”, disse, sublinhando: “Todas as decisões que tomamos na nossa vida do dia-a-dia fazem a diferença. Precisamos de todos. Todos.

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