Residências de Coimbra não têm condições para enfrentar a pandemia, diz Brigada Estudantil

Movimento fala em estudantes em isolamento nas residências da Universidade de Coimbra que têm dificuldade em aceder a refeições. Serviços de Acção Social da instituição negam que tal esteja a acontecer.

Foto
Paulo Pimenta

As residências que servem de alojamento a centenas de estudantes da Universidade de Coimbra (UC) não têm condições suficientes para prevenir o contágio pelo novo coronavírus, denuncia o movimento Brigada Estudantil. Os quartos partilhados não oferecem condições de distanciamento social e faltam quartos para isolamento, havendo casos de residências com 100 e 200 estudantes que apenas têm um quarto para esse efeito. Há também problemas em fazer chegar refeições a estudantes em isolamento.

Em comunicado, o movimento diz que os Serviços de Acção Social da UC (SASUC) não têm dado o “devido apoio”, fazendo com que “vários estudantes se encontrem sem resposta ou condições para conseguirem viver e combater uma pandemia”. Os mesmos serviços, prossegue o texto da Brigada Estudantil, “têm falhado em comunicar com os estudantes” após a detecção de casos positivos.

Luísa Almeida, da Brigada Estudantil, explica ao P3 que estas situações lhes foram reportadas por estudantes instalados nestas residências. Refere também que não têm ideia do número de casos suspeitos ou confirmados e diz que há “falta de transparência” por parte da Universidade de Coimbra. Houve mesmo uma residência onde chegou a haver um piso inteiro em isolamento, aponta, embora essa situação já esteja ultrapassada.

Os pontos mais preocupantes são aqueles onde há um maior número de alunos, afirma, como são os casos das residências do Pólo II e III da UC e a da rua António José de Almeida.

Em resposta ao P3, a Universidade de Coimbra não diz o número de estudantes alojados em residências que estão ou estiveram infectados, garantindo, no entanto, que “não foi identificado, até ao dia de hoje, qualquer surto” nesta comunidade”. Foram apenas “registados casos isolados em número muito reduzido”, acrescenta.

No que diz respeito às refeições, a UC garante que os SASUC “têm assegurado, quando solicitado, o próprio transporte e a entrega de refeições e/ou bens de primeira necessidade”. Mas Luísa Almeida diz que o preço por cada refeição é de 2,7 euros, o que pode ser um entrave para estudantes bolseiros com dificuldades económicas acrescidas. Houve também casos em que os estudantes do mesmo piso tiveram que assegurar a entrega das refeições aos colegas, diz Luísa Almeida.

A instituição de ensino superior garante ainda que “os casos suspeitos ou de infecção são acompanhados segundo os procedimentos instituídos no Plano de Prevenção e Protocolo de Actuação contra a covid-19 na UC e no Plano de Contingência do Alojamento em Residência Universitária dos SASUC (que seguem as orientações da Direcção-Geral de Saúde), sempre em estreita articulação com as autoridades de saúde”.

A UC acrescenta também que “os SASUC disponibilizam ainda apoio e acompanhamento médico, para além da linha de apoio emocional dedicada à comunidade académica (UCare)”.