Portugal-Andorra: o “jogo que não traz benefícios”, serve para “entrosar jogadores”

A três dias de uma “final” com a França na luta pelas meias-finais da Liga das Nações, Portugal deverá apresentar um “onze” repleto de habituais suplentes no “amigável contra Andorra.

Foto
Fernando Santos LUSA/DIOGO PINTO / FPF / HANDOUT

Na passada quinta-feira, quando foram anunciados os 25 convocados para um “amigável” (Andorra) e para as duas últimas jornadas do Grupo F da Liga das Nações (França e Croácia), Fernando Santos não escondeu o desconforto por ter que defrontar nesta quarta-feira, no Estádio da Luz, a selecção andorrenha (19h45, RTP1). Cinco dias depois, o discurso manteve-se. Com uma “final” frente aos franceses na luta pelas meias-finais da Liga das Nações agendada para sábado, o técnico nacional admitiu que se “não fosse obrigatório”, dispensava o duelo de hoje e, por isso, aproveitará a partida para “entrosar os jogadores que não têm estado na selecção”. 

A obrigatoriedade da realização de um jogo particular antes da jornada dupla que vai encerrar a fase de grupos da Liga das Nações foi imposta pela UEFA e, na história das antevisões de jogos de Portugal, é pouco provável existirem registos de um seleccionador afirmar, de forma tão clara, que jogar será um problema.

Com os jogadores sobrecarregados pelo afunilamento dos calendários dos clubes devido à pandemia, Santos não teve pudor em dizer que em “termos físicos”, a partida com Andorra “é um jogo que não traz benefícios” e que, a três dias do duelo com a França, “seria preferível aproveitar a quarta-feira para recuperar”.

Assim, a responsabilidade de testar o “muro” que Andorra colocará à frente da sua baliza será dos “jogadores que desde que saíram da selecção na última vez jogaram poucos minutos”. Mesmo assim, Fernando Santos irá “procurar encontrar algum benefício” do jogo, o que passa por “entrosar os jogadores” que não têm feito parte do “núcleo duro” da selecção.

De novo disponível após ter falhado a partida contra a Suécia por ter testado positivo à covid-19, Cristiano Ronaldo teria, em teoria, uma excelente oportunidade para se aproximar do recorde de golos de Ali Daei (109) ao nível de selecções (o português tem 101), mas três dias depois do capitão português ter sido substituído no Lazio-Juventus com queixas no tornozelo, Santos mostrou pouca vontade de correr riscos: “Se me dissessem que marcava 10 golos, se calhar até dava jeito e ele ficava já despachado disto. Batia já o recorde. Mas isto não é assim.”

Com o confronto com a França no ponto de mira e perante uma Andorra que se vai apresentar em Lisboa com muito pouco ritmo — a esmagadora maioria dos convocados pelo técnico Koldo Álvarez joga no seu país onde o campeonato está parado —, Santos deve aproveitar para colocar no “onze” dois estreantes: Pedro Neto e Paulinho deverão ser o 44.º e 45.º jogadores lançados pelo seleccionador nacional em seis anos.

Sem Pepe, Rúben Semedo pode formar com Domingos Duarte a dupla de centrais — Rúben Dias e José Fonte deverão ser a dupla contra os franceses. Isto, apesar de o defesa ter sido multado pelo Olympiakos por ter participado numa festa, infringido as restrições impostas pelo clube grego no combate à pandemia de covid-19. Porém, esse não é um problema de Fernando Santos: “O Rúben Semedo já teve covid-19 e nas regras da UEFA está dispensado dos testes. O resto é problema do Olympiacos e não me diz respeito a mim.”