Madeira: máscaras na rua a partir dos seis anos e turistas a pagar quartos de hotel se tiverem de ficar em quarentena

O Governo regional retomou as videoconferências sobre covid-19. Miguel Albuquerque afirma: “Isto não é um sprint. É uma maratona, e ainda vamos a meio da corrida.”

Foto
Nuno Ferreira Santos

Há todo um simbolismo, e Miguel Albuquerque, o presidente do governo regional da Madeira, não o esconde. O regresso das videoconferências, transmitidas em directo nas redes sociais geridas pelo executivo, pretende sublinhar junto da população, a gravidade da situação.

“Estamos numa fase de recrudescimento da pandemia, que vai ter efeitos muito complicados na vida social e na vida económica da região”, disse Albuquerque, em resposta a uma pergunta do PÚBLICO, precisamente sobre o regresso do formato de videoconferências. A última, tinha sido em Maio. “A situação é de facto dramática, não podemos escamotear esta questão”, insistiu, dizendo que não se trata de promover “alarmismos”, mas sim de tomar as medidas necessárias para enfrentar a pandemia.

A conferência de imprensa, que juntou ainda os secretários regionais da Saúde e Protecção Civil, Pedro Ramos, e do Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, foi convocada para anunciar as novas medidas de combate e controlo da propagação da pandemia, que até ao momento foi responsável por 423 casos confirmados de covid-19, 160 dos quais continuam activos. Sem vítimas mortais e com poucas pessoas a terem tido necessidade de internamento hospitalar, o arquipélago tem conseguido sobreviver à pandemia sem impactos significativos ao nível da saúde.

A explicação, diz Albuquerque, reside nas medidas profilácticas adoptadas na Madeira (uso de máscara na rua, proibição de visitas a lares e testagem a todos os que chegam à região autónoma), aos profissionais de saúde e ao empenho de toda a população no cumprimento das medidas recomendadas pelo governo.

Mas, avisou o chefe do executivo de coligação PSD/CDS, o combate não é um sprint. É uma maratona, e ainda não chegamos a meio da corrida. Por isso, a Madeira vai apertar as medidas. Para começar, o uso de máscara em todo o espaço público, que era recomendado, vai passar a obrigatório a partir dos seis anos. Sempre que não seja possível respeitar o distanciamento social. Uma medida, em linha com o que está em vigor no continente, deverá começar a ser aplicada já na próxima semana.

Depois, mais restrições para quem chega ao arquipélago. Até agora, os turistas que desembarcavam sem teste negativo feito, são testados e em caso de resultado positivo à covid-19 ficam em quarentena numa das unidades hoteleiras que o governo madeirense reservou (estão alocados 246 quartos para esse fim). Com as despesas a subir, entre testes e alojamento já foram gastos perto de 20 milhões de euros desde que os aeroportos madeirenses reabriram a 1 de Julho, e na impossibilidade de obrigar todos os que cheguem a ter um teste negativo, o Funchal quer pelo menos que paguem as despesas de alojamento.

A solução encontrada passa por “mitigar” esses custos, através da transferência da verba paga pelos turistas no acto da reserva às unidades hoteleiras, para o Instituto de Administração da Saúde da Madeira. Assim, os turistas que testem positivo vão pagar a diária nas unidades hoteleiras reservadas para doentes covid-19, até a um máximo de 108 euros por quarto single e 141 euros por quarto duplo. Um valor a que se soma 120 euros, referentes à despesas relacionadas com a desinfecção do alojamento.

Mais. Os atletas amadores que viajem com as equipas para o continente, quando regressarem à região têm de fazer um segundo teste. O primeiro à chegada, e o segundo entre o 5.º e o 7º dia após o regresso. Durante esse período, até terem dois resultados negativos, têm que ficar em isolamento. A medida, explicou Miguel Albuquerque, aplica-se a todos os que trabalhem nas áreas da Educação (incluindo alunos), Saúde, Social e Protecção Civil.

A Madeira prolongou a situação de calamidade até ao final do mês de Novembro, e o líder do executivo regional avisa que as medidas anunciadas esta quinta-feira serão reavaliadas dentro de 15 dias. Os custos sociais e económicos de um novo confinamento são inimagináveis para a Madeira, mas, vincou, estamos preparados para fazer o que for necessário para salvaguardar a saúde das pessoas.