Chuva e vento no Faial elevaram a fasquia do Golden Trail Championship

A primeira etapa da competição que junta alguns dos melhores atletas de trail do mundo arrancou nos Açores. Bruno Silva e Dario Moitoso, em masculinos, e Inês Marques, em femininos, foram os melhores portugueses.

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Bezerro
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Martina Valmassoi

As condições meteorológicas não foram as ideais para que os atletas apreciassem na totalidade a beleza dos trilhos percorridos na costa Norte do Faial, mas a muita chuva e vento que se fizeram sentir ao longo da primeira etapa do Golden Trail Championship (GTC) elevou ainda mais a fasquia do evento promovido pela Salomon e que junta nos Açores a elite do trail mundial. Os mais rápidos a percorrer os cerca de 25 quilómetros entre o porto do Salão e o porto do Comprido foram o francês Frederic Tranchand e a sueca Tove Alexandersson, mas Portugal conseguiu colocar dois atletas no top-30 em masculinos e uma em femininos.

O primeiro contacto das quase duas centenas de participantes de 32 nacionalidades no GTC com os trilhos dos Açores aconteceu na tarde de quarta-feira. De forma a dividir os atletas em grupos, evitando assim grandes concentrações na partida, a competição organizada pela Azores Trail Run arrancou com um prólogo de 3,4 quilómetros percorridos no Monte da Guia e na praia do Porto Pim, dois dos “cartões postais” da cidade da Horta.

No entanto, os efeitos dos protocolos de saúde impostos pelas autoridades de saúde açorianas fizeram-se sentir antes do início do prólogo: 17 dos 191 trailistas inscritos ainda não conheciam os resultados dos seus testes de despistagem à covid-19 e, por esse motivo, não foram autorizados a estar na linha de partida.

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Frederic Tranchand na chegada aos Capelinhos Philipp Reiter

Entre os ausentes, estavam a sueca Tove Alexandersson, dez vezes campeã do mundo de orientação pedestre, e o italiano Francesco Puppi, campeão mundial de corrida de montanha de longa distância em 2017. Com a ausência no prólogo, Alexandersson e Puppi partiram nesta quinta-feira para a primeira etapa no final do primeiro pelotão. Porém, a má posição na partida não impediu a sueca de ser uma das figuras da primeira etapa.

Com largada do porto do Salão, pequeno cais piscatório na costa norte da ilha, os cerca de 25 quilómetros contavam com uma passagem pela reserva natural da Caldeira do Faial e, após um percurso com desníveis positivos e negativos superiores a mil metros, a meta estava no porto do Comprido, com o imponente vulcão dos Capelinhos como plano de fundo.

A acrescentar à dificuldade do trajecto, os atletas tiveram, ainda, a chuva e o vento como adversários, mas apesar de os trilhos estarem enlameados pela muito água que caiu durante toda a prova e de surgirem rajadas de vento superiores a 50 km/h nos pontos mais altos do percurso, o francês Frederic Tranchand, um especialista em provas de orientação, ligou o porto do Salão ao porto de Comprido em menos de duas horas (1h53m13s), superando o polaco Bart Przedwojewski por escassos 34 segundos. O último lugar do pódio foi para o marroquino Elhousine Elazzaoui, colega de Przedwojewski na Team Salomon.

Entre os portugueses, o destaque vai para Bruno Silva e Dario Moitoso, que conseguiram concluir a etapa no top-30. Silva (28.º) e Moitoso (29.º) cortaram a meta a par, a 17m16s de Frederic Tranchand. Nos 50 primeiros acabaram ainda Bruno Sousa (44.º) e Romeu Gouveia (45.º).

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Bruno Silva e Dario Moitoso na chegada à meta martina valmassoi

Na corrida feminina, Tove Alexandersson não deu qualquer hipótese às rivais. Partindo de trás, a sueca chegou aos Capelinhos com quase sete minutos de vantagem sobre a segunda classificada (a suíça Maude Mathys). A francesa Blandine L'Hirondelle, que em 2019 sagrou-se campeã do mundo em Miranda do Corvo, foi a terceira mais rápida.

Apesar de ter sido a melhor portuguesa (30.ª), Inês Marques considera que o primeiro dia do GTC ficou “um bocado abaixo” das suas expectativas. Embora o percurso fosse “equilibrado a nível técnico”, a campeã nacional de trail em 2019 diz que havia “muita lama”. “Não é bem a minha praia”, admite.

Em conversa com o PÚBLICO, a atleta da Salomon Suunto Caravela explica que “em alguns troços” a lama “dificultava muito a progressão”, o que “não é o ideal” para as características da portuguesa que não treina “neste tipo de terrenos”.

No entanto, num balanço do primeiro dia “a sério” no GTC, Inês Marques destaca um “percurso lindíssimo, com passagens junto à praia, rochas vulcânicas, trilhos muito fechados e com a chegada no vulcão dos Capelinhos”.

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Inês Marques na primeira etapa do GTC Philipp Reiter

Sobre as expectativas para o resto da competição que apresenta competitivo “um nível mesmo muito elevado”, o que “é bom” para os atletas portugueses, a campeã nacional adverte que a “capacidade de recuperação” entre etapas “será muito importante”, mas o objectivo é melhorar: “Um top-20 era muito bom, mas será difícil”.

Para além de Inês Marques, Portugal conseguiu colocar mais seis atletas no top-50: Luísa Freitas (38.º), Mariana Machado (39.º), Ester Alves (40.º), Sara Silva (41.º), Joana Esperanço (44.º) e Margarida Pereira (46.º).

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