Crónica de jogo

FC Porto abre as portas do Dragão ao êxito europeu

De novo com público nas bancadas sete meses depois, a equipa portista abriu também as portas aos pontos e somou os primeiros três no grupo C da Liga dos Campeões.

resultados-jogos,futebol,desporto,fc-porto,liga-campeoes,futebol-nacional,
Foto
Jogadores do FC Porto celebram no Dragão LUSA/FERNANDO VELUDO

Depois de uma derrota na primeira jornada – e defrontando um dos vencedores da primeira ronda –, o FC Porto-Olympiacos desta terça-feira tinha uma importância vital para o futuro dos “dragões” na Liga dos Campeões. E a equipa entendeu-o. Sem ser brilhante, mas com uma competência defensiva tremenda em quase toda a partida, o FC Porto venceu o Olympiacos, por 2-0, num jogo em que Sérgio Oliveira voltou a mostrar que, nesta fase, será, a par de Corona, o jogador mais determinante da equipa.

Abrindo as portas do Estádio do Dragão ao público sete meses depois, a equipa abriu também as portas aos pontos e somou os primeiros três no grupo C, igualando os já somados pelos gregos. O Manchester City tem seis e lidera o grupo, enquanto o Marselha ainda não saiu dos zero.

Na “Invicta”, o FC Porto começou a partida a um grande nível. De regresso ao 4x3x3, a equipa portista fez 40 minutos de muita qualidade. Não que tenha somado muitas oportunidades de golo – não somou – ou que tenha sido particularmente artístico na criação de jogo – não foi –, mas Sérgio Conceição pôde ver uma equipa muito eficaz sem bola.

Com Sérgio Oliveira na posição 8, mais Otávio, Corona e Marega, a formação portista tinha quatro jogadores permanentemente “à caça” de recuperações de bola na primeira fase de construção de um Olympiacos muito limitado nesse momento do jogo. E foi assim que surgiu o 1-0, aos 11’, quando Oliveira obrigou Bouchalakis a errar e serviu Fábio Vieira, que finalizou no centro da área.

E Oliveira foi o jogador determinante do FC Porto. Compensou subidas de Zaidu, surgiu na área a finalizar, organizou, deu fluidez à circulação, deu soluções na construção, definiu com último passe, pressionou e recuperou bolas. Em suma, fez tudo. E o FC Porto é claramente mais forte quando o internacional português joga a 8 e não a 6.

Capaz de recuperar bolas no meio-campo adversário, o FC Porto conseguiu mais lances perigosos. Oliveira isolou Marega aos 28’ (o maliano não conseguiu finalizar) e Fábio Vieira soltou o avançado aos 33’, mas a jogada voltou a não ter finalização.

Olympiacos ainda incomodou

Os últimos cinco minutos da primeira parte foram, porém, menos fortes. O FC Porto descomprimiu, por incapacidade física ou desconcentração, e sentiu alguns calafrios. Aos 40’, uma defesa incompleta de Marchesín permitiu a Valbuena tentar o chapéu, mas Mbemba salvou o FC Porto. E voltou a fazê-lo aos 43’, num bom cruzamento de Rafinha. Pepe, a fazer o jogo 100 na Champions, 16 anos depois da estreia, reclamava com os companheiros, pedindo-lhes mais agressividade – a que tiveram nos primeiros 40 minutos.

E essa agressividade do FC Porto, muito centrada na zona central do campo, acabou por ser ineficaz nos corredores laterais – a “manta” não chega para tudo. E, na segunda parte, o Olympiacos, tal como no final da primeira, continuou a fazer alguns cruzamentos perigosos vindos de zonas menos pressionadas.

Aos 51’, Randjelovic criou logo um bom lance numa jogada deste tipo, permitindo a defesa a Marchesín, e aos 59’ um novo cruzamento, desta feita do lado direito, obrigou Pepe a um corte defeituoso.

O passar dos minutos e o acumular da fadiga – o Olympiacos descansou o dobro dos dias do FC Porto – fez com que a “manta” não faltasse só nos corredores e mesmo na zona central os portistas começaram a chegar sempre atrasados ao portador da bola.

Conceição acabou mesmo por traduzir este cansaço da equipa em substituições: saíram Octávio, Corona e Fábio Vieira, três jogadores que muito correram e pressionaram, e entraram em campo Nakajima, Evanilson e Grujic – este último deu músculo e capacidade de gerir a posse de bola. As alterações no FC Porto não dotaram a equipa de maior competência ofensiva, mas deram devolveram a frescura física para trabalhar sem bola, numa análise perfeita de Conceição.

E foi numa recuperação de bola que Marega se soltou na direita e cruzou para… Sérgio Oliveira, claro. O médio surgiu na área – surge em todo o lado – e deu tranquilidade à equipa, com um remate de cabeça.

O FC Porto não foi brilhante, longe disso, mas o bom trabalho defensivo na maior parte do jogo acabou por imperar. E as mudanças de Conceição deram uma boa ajuda a “esvaziar” o Olympiacos.

Sugerir correcção