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Jantar-comício do Chega vai reunir 300 pessoas no Porto. Partido garante ter parecer positivo da DGS

Jantar-comício organizado pela distrital do Chega do Porto irá reunir cerca de 300 pessoas numa sala privada do Sheraton do Porto. Hotel garante que “directrizes da DGS estão cumpridas escrupulosamente”.

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Nuno Ferreira Santos

Um jantar-comício organizado pela distrital do Chega do Porto vai reunir, esta sexta-feira à noite, cerca de 300 pessoas numa sala privada do hotel Sheraton do Porto. O evento gerou já vários protestos por parte de cidadãos locais e da Frente Unitária Antifascista, tendo levado o hotel a publicar uma mensagem na sua conta da rede social Facebook, na qual afirma que aquele “é um espaço inclusivo e não discriminatório (nem negativa nem positivamente)” e que não aceita que o espaço e a página “sejam palco de comportamentos ofensivos e contrários a estes valores”.

Ao PÚBLICO, a directora do Sheraton do Porto, Joana Almeida, garante que “o hotel cumpre e sempre cumpriu todas as directivas da legislação emitida pelo nosso Governo, assim como todas as orientações da Direcção-Geral de Saúde” (DGS) e que “isso está salvaguardado neste evento”.

“As directrizes da DGS estão cumpridas escrupulosamente. Todas as directrizes para os eventos corporativos ou partidários estão cumpridas escrupulosamente, em termos de distanciamento, de circuitos, de utilização de equipamentos de protecção individual, está tudo cumprido. Tenho o parecer positivo já”, acrescentou, notando que “este evento já está agendado há muito tempo” (antes da entrada em vigor do estado de calamidade). Fonte do Chega confirmou também ao PÚBLICO que o evento teve parecer positivo da DGS.

Segundo o jornal Expresso, um grupo de cidadãos portuenses enviou um email, na quinta-feira, a várias entidades para dar conhecimento da realização do evento, entre as quais a DGS, o Ministério da Saúde, a Administração Regional De Saúde Do Norte, a Entidade Reguladora da Saúde, grupos parlamentos e meios de comunicação social. No email, os cidadãos alertam que “o aumento exponencial de infectados, mormente no Norte e no Porto, obriga a todos, individual e colectivamente, a uma acrescida responsabilidade social”.

O grupo de cidadãos enviou ainda um email à directora do hotel, onde é referido que “a unidade de excelência e renome não quererá ser associada a um previsível surto emergente do evento”, destacando ainda que “irá usar de meios legais para responsabilizar o hotel, caso tal se venha a verificar”.

“Enquanto gestores de um hotel, não nos compete tomar posições sobre orientações políticas, religiosas ou outras por parte dos nossos clientes”, afirmou ao PÚBLICO Joana Almeida, quando questionada sobre os protestos.

O líder da Comissão Política Distrital do Chega também garante ao Expresso que o jantar, que irá contar com a participação de André Ventura, “foi devidamente autorizado pela DGS”. José Lourenço lembra ainda que “os eventos político-partidários não estão restritos a 50 pessoas, como acontece com casamentos e outras festas familiares” e que o Chega não está a cometer qualquer ilegalidade. “Após o Governo ter autorizado a Festa do Avante!, não percebo a razão deste questionamento sobre um jantar político normal e infinitamente mais restrito”, acrescenta.

Contactada pelo PÚBLICO, a DGS explica que não autoriza os eventos, podendo apenas dar um parecer, e destaca que estes têm de respeitar a resolução do conselho de ministros.

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