Pinto da Costa volta a criticar ausência de público nos estádios

Em dia de 127.º aniversário, Pinto da Costa disse que Governo ficará ligado à falência dos clubes. Dirigente revelou que é objectivo que Sérgio Conceição permaneça no comando dos “dragões”.

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Andre Rodrigues

O presidente do FC Porto admitiu esta segunda-feira que é de sua vontade que Sérgio Conceição se mantenha como treinador da equipa principal de futebol dos “dragões” e afirmou ter “uma conversa marcada” para breve. “Vamos deixar passar este período e temos combinado um diálogo. A minha vontade é que o Sérgio Conceição continue. Vamos deixar passar este período, mas depois da tempestade vem a bonança. Em três anos ganhamos dois campeonatos e é justo que ele continue no FC Porto com tempos mais fáceis. Desejo que continue no FC Porto”, disse.

Em entrevista ao Porto Canal, e em dia do 127.° aniversário do FC Porto, o dirigente voltou a comparar Sérgio Conceição a José Maria Pedroto.

“Não há pessoas iguais. Quando comparo Sérgio Conceição com José Maria Pedroto, naturalmente que tenho de considerar que é elogioso para o Sérgio Conceição. É aquilo que tenho constatado por aquilo que convivi com com dois. Tenho pelo Sérgio Conceição uma amizade fraterna. Não digo que o vejo como filho, porque os pais são insubstituíveis, e ainda hoje ele falou deles com emoção, mas tenho uma grande admiração por ele. É de um rigor extremo, mas sempre com racionalidade, interesse e colocando sempre os interesses do FC Porto acima de tudo. Tal como José Maria Pedroto, é capaz de entrar em qualquer guerra e sem medo. São diferentes, mas têm muito de comum no seu trabalho, dedicação, paixão e vontade de estar sempre do lado do FC Porto e de defender os interesses do FC Porto”, disse.

Pinto da Costa voltou a frisar que não entende a ausência de público nos estádios. “Acho inadmissível o que está a acontecer e há falta de sensibilidade da parte de quem manda no Desporto e de quem está na DGS e não sabe o que é o desporto. Daí ser ridículo aceitar que os camarotes têm que estar vazios. Nem que fosse uma pessoa em cada camarote de 100 lugares. Nas touradas o espaço está cheio, nem lugar de intervalo deixam. Embicaram com o futebol. Em tempos gabaram-se do milagre em Portugal, agora o milagre desapareceu. E a culpa é do futebol? Se milagre se transformou num pesadelo ou pecado mortal, se calhar é pelas touradas, cinemas abertos, concertos em recintos fechados ou humoristas em espectáculos... E o futebol é que paga?”, questionou.  

O dirigente prosseguiu: “Não há incongruência, há incompetência. O Secretário de Estado do Desporto vem dizer que o problema vai ser resolvido, mas depois vem uma senhora (Graça Freitas) que diz o contrário. A epidemia não aumentou por causa do futebol. Só em Portugal é que não há público nos estádios. Até nos Açores já há adeptos nos estádios e não se vê aumentar o número de casos de infectados. Abriram restaurantes, cinemas, touradas e espectáculos com milhares de pessoas, mas só o futebol é que não.”

O presidente portista acredita que “este Governo vai ficar ligado à falência do futebol e do desporto”. “Os clubes continuam a pagar os impostos, mas não têm receitas. Sem bilheteira e sem os lugares anuais, temos um prejuízo de 27. Se não pagarmos vêm logo as multas e as ameaças”, lembrou ainda.

Pinto da Costa falou ainda sobre o mercado. “Saíram o Fábio Silva e o Vítor Ferreira. Agora, não cedemos nenhum jogador daquele núcleo de 16/18 jogadores que o treinador considerava indispensáveis. Não podemos é evitar que um clube chegue aqui e pague a cláusula de rescisão”, esclareceu o dirigente.

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