Covid-19. Maior número de internados em quase quatro meses. Lisboa e Sintra com o maior crescimento semanal

Casos diários cresceram 0,9% e mortes 0,4%. Lisboa e Vale do Tejo e Norte registaram a grande parte dos casos das últimas 24 horas (cerca de 88% dos novos casos). O número de casos activos de infecção está a subir desde o dia 15 de Agosto.

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Diogo Ventura

Há quase quatro meses, mais precisamente desde 29 de Maio, que o número de internados por covid-19 em Portugal não era tão elevado. Segundo o mais recente boletim da Direcção-Geral da Saúde (DGS), existem, neste momento, 518 pessoas internadas (mais sete que no domingo) — 61 destas estão nos cuidados intensivos (menos duas). No fim de Maio, este indicador situava-se nos 529 casos internados.

Os números desta segunda-feira da DGS revelam também que a covid-19 fez oito mortes em Portugal nas últimas 24 horas, uma subida percentual de 0,4%. No total, a doença causada pelo novo coronavírus já fez 1920 vítimas mortais. Há também mais 623 novos casos, um aumento de 0,9% e que eleva para 69.299 o número total de casos identificados desde o início da pandemia.

Há 40.465​ pessoas a serem acompanhadas pelas autoridades de saúde e recuperaram da infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2 mais 140 pessoas, num total de 45.763​ casos recuperados. Há agora 21.544 casos activos de infecção, mais 475 que no domingo — valor obtido depois de subtraído o número de recuperados e de óbitos ao total de infecções. Este indicador está a subir desde o dia 15 de Agosto, quando existiam 12.621 infecções activas.

Grande parte das novas infecções desta segunda-feira dizem respeito a duas zonas do país: 70,5% (ou 439 novos casos) foram registados em Lisboa e Vale do Tejo, onde também ocorreram três das oito mortes, e 18% à região Norte, que também contabiliza quatro vítimas mortais nas últimas 24 horas.

Na distribuição dos casos por região, Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a que tem o maior número acumulado de casos no país – ao todo, são 35.443 os registos de infecção e 731 mortes por covid-19. O Norte tem 24.908 casos e 875 mortes — é a região com o maior número de vítimas mortais. Já no Centro foram registados 30 novos casos, num total de 5651 infecções e 257 mortes. O Alentejo totaliza 1340 casos e 23 mortes. No Algarve há 1401 casos de infecção e 19 óbitos.

A Madeira totaliza 205 casos de infecção (um novo) e zero mortes. Já os Açores registam 252 casos (mais nove) e 15 mortes desde o início da pandemia.

Esta segunda-feira foi feita a habitual actualização do número de infecções por concelho. É em Lisboa onde se registam mais casos, com 448 novos casos numa semana (num total de 6050), seguindo-se Sintra com mais 352 casos (5102 no total), a Amadora, com mais 173 (num total de 2914), Cascais (mais 156, total de 1880), Loures (154, total de 2913), Odivelas, com mais 131 casos (2092 no total) e Vila Franca de Xira, com 88 novos casos (1542 no total). A Norte, Guimarães foi o concelho com mais novos casos (142 numa semana, num total de 1173), seguindo-se Vila Nova de Gaia (com 92 novos casos na última semana, um total de 2154), Vila do Conde, com mais 76 casos (num total de 842) e o Porto, com 71 novas infecções na última semana, num total de 1732 casos acumulados.

Os dados do relatório da DGS indicam que, do total de mortes registadas, 951 são mulheres e 969 homens. As oito mortes registadas nas últimas 24 horas são referentes a dois homens e duas mulheres acima dos 80 anos e a três homens entre os 70 e os 79 anos. Há ainda a registar uma morte de um homem entre os 60 e os 69 anos. Já no indicador dos casos confirmados, verifica-se que 37.912 foram registados em mulheres e 31.288 em homens. A covid-19 é mais mortal na faixa etária acima dos 70 anos: a doença matou 1663 pessoas com estas idades, o que representa 86,6% de todas as mortes registadas em todas as faixas etárias.

Uso de máscara ao ar livre em sítios movimentados

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse esta segunda-feira, na habitual conferência de imprensa sobre a covid-19, que irá sair uma recomendação da DGS segundo a qual a máscara deverá ser usada, mesmo ao ar livre, em sítios movimentados, se não for possível garantir a distância necessária.

Graça Freitas diz que a DGS sempre teve uma “postura evolutiva” face a esta questão das máscaras, que não se trata de “mudar de opinião": “Até já preconizámos a utilização de máscara ao ar livre em determinadas circuntâncias. Quais eram? Aquelas em que não é possivel manter, garantir distância física entre as pessoas”, disse. E acrescentou: “Ao ar livre a utilização de máscaras fará sentido se formos, de facto, para zonas, sítios, onde não consigamos garantir que ficamos longe de outros. Diferente é uma situaçaão ao ar livre, no campo, num jardim, a horas em que não andam outras pessoas a passear”.

A directora-geral da Saúde afirmou ainda o seguinte: “Portanto, isto será uma utilização que tem a ver com dois critérios, a proximidade das pessoas, esse é sempre o problema em relação às máscaras, se estivermos longe o suficiente não é preciso utilizar o método barreira; se estivermos próximos, o método barreira ajuda”.

Assim, anunciou: “Por isso, muito brevemente e depois de, mais uma vez, termos consultado os peritos nacionais e internacionais, vai sair uma orientação no sentido de que, quando as pessoas, no exterior, não conseguirem garantir para elas ou para os outros a distância física recomendanda, poderão, deverão usar máscara”.

Ainda sobre as medidas de contenção da pandemia, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, disse que a possibilidade de um novo confinamento, face a uma segunda vaga ou a um aumento de casos, não está a ser ponderado: “Hoje sabemos mais da doença, estamos melhor preparados para responder, o confinamento parcial ou geral é uma resposta de saúde pública que garantidamente não queremos voltar a accionar”.

Padrão de infecções em jovens

Graça Freitas confirmou que, à medida que a pandemia foi evoluindo em Portugal, têm existido alterações: se no início havia mais casos de idosos, com situações em internamento e em cuidados intensivos, e de letalidade; neste momento, “ao dia de hoje”, os dados mostram que apenas 11% as pessoas infectadas nas últimas 24 horas tem mais de 70 anos. “Confirma-se que é um padrão de adultos jovens em idade activa”, disse a directora da DGS.

Segundo Graça Freitas, tal tem a ver também com o padrão de transmissão que acontece, sobretudo, no seio das familias e em situações de socialização, “característica das pessoas mais novas”, havendo outros casos em ambiente laboral.

Graça Freitas admitiu ainda haver mais recuperados do que aqueles que os números mostram e explicou que a população mais jovem faz a recuperação, sobretudo, em casa, sendo aqueles com quem contactaram seguidos por médicos e equipas de saúde pública. Referiu que não se trata de ficarem doentes por mais tempo, mas que, para existir recuperação, é preciso não só o período de 14 dias, a realização de testes, mas também que os médicos vão a uma plataforma e digam que aquela pessoa recuperou, explicou a responsável, referindo que provavelmente a prioridade tem sido tratar os novos casos e “menos registar os recuperados”. 

“Entre a DGS e os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde vamos fazer um esforço de visita à plataforma que tem estes casos para actualizar o número de recuperados”, disse, referindo que se sabe que “há mais recuperados do que aqueles que oficialmente estão a ser notificados”.

DGS: Início do ano lectivo “relativamente tranquilo”

A directora-geral da Saúde considerou ainda que o arranque do ano lectivo correu “bastante bem”, tendo em conta o elevado número de pessoas que movimentou. “Há ajustes a fazer, não temos a mínima dúvida, foram encontradas formas de melhorar alguns procedimentos nas escolas “, disse, insistindo que “o início do ano lectivo foi relativamente tranquilo”.

Sobre alguns casos verificados nas escolas, relacionados com a covid-19, afirmou que “do ponto de vista da saúde pública, nenhum dos casos levaria ao encerramento das escolas": “Duas ou três situações pontuais em que foi pensada pelo menos a suspensão, não o encerramento das escolas, têm a ver com a existência de profissionais disponíveis, não do risco de expansão da doença”, afirmou.

Referiu-se à suspensão da actividade por um período que “se quer curto”, por uma “questão de disponibilidade de recursos” e defendeu que encerrar as escolas só em situação de “risco extraordinário”, podendo antes isolar-se apenas uma turma ou parte de uma escola, “de forma proporcional”. Diferente, prosseguiu, é a suspensão da actividade para repôr professores que seja preciso substituir por alguns estarem, por exemplo em isolamento, disse.

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