Covid-19: há mais seis mortes e 780 infectados. Casos activos ultrapassam os 20 mil

Há mais de 45 mil pessoas que recuperaram da infecção. O número de casos tem vindo a aumentar nas últimas semanas e há mais de cinco meses que o número de novos casos não era tão elevado como nesta sexta-feira.

Foram registadas mais seis mortes por covid-19 (todas na região de Lisboa e Vale do Tejo) e mais 780 casos de infecção em Portugal, um aumento de 1,2% em relação ao dia anterior. A maior parte dos casos foi registada na região de Lisboa e Vale do Tejo (426 infecções), havendo mais 250 infecções no Norte, 46 no Centro, 36 no Alentejo, 20 no Algarve e duas na Madeira. Depois de terem sido detectadas 770 novas infecções na quinta-feiraeste é novamente o dia com mais casos desde 10 de Abril, dia em que foram registados 1516 casos de infecção

Recuperaram mais 250 pessoas no último dia e são agora mais de 20 mil os casos activos no país. Estes dados foram divulgados no boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta sexta-feira.

Estão ainda internadas 465 pessoas (menos 15 do que no dia anterior), das quais 57 em unidades de cuidados intensivos (menos duas do que na véspera). A taxa de letalidade em Portugal é de 2,8%. Acima dos 70 anos, a taxa de letalidade sobe para 14,2%, anunciou esta sexta-feira a ministra da Saúde, Marta Temido, na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia.

Actualmente há 265 surtos activos no país: 127 na região Norte, 78 em Lisboa e Vale do Tejo, 26 no Centro, 21 no Algarve e 13 no Alentejo.

Ao todo, são 67.176 pessoas que foram infectadas em Portugal com o coronavírus SARS-CoV-2 (que causa a doença covid-19) desde que foram detectados os primeiros casos em Portugal, a 2 de Março. O número de recuperados ultrapassou os 45 mil (são agora 45.053) e o número total de mortes é de 1894.

Em todo o mundo, são mais de 30 milhões de pessoas que foram infectadas por este coronavírus desde o início da pandemia – dessas, 20,5 milhões de pessoas recuperaram e 946 mil morreram.

“Estamos numa terceira fase de crescimento”

Entre 9 e 13 de Setembro, o Rt (rácio de transmissibilidade) foi de 1,15 em Portugal. A nível regional, o Rt situou-se em 1,10 no Norte, 1,19 no Centro, 1,16 em Lisboa e Vale do Tejo, 1,45 no Alentejo e 1,20 no Algarve.

Desde Agosto que “estamos numa terceira fase de crescimento”, depois da primeira entre Março e Abril e da seguinte, com “intensidade menor”, entre Maio e Junho, explicou Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), na conferência de imprensa.

A evolução desta terceira fase “vai depender muito da efectividade das medidas de saúde pública implementadas associadas ao estado de contingência, contexto escolar e identificação e seguimento dos casos”, disse. “O contexto europeu está em linha com o que está a acontecer em Portugal”, acrescentou o responsável.

Vacinação contra a gripe começa a 28 de Setembro

A primeira fase de vacinação gratuita no Serviço Nacional de Saúde vai começar a 28 de Setembro, anunciou a directora-geral da Saúde, Graça Freitas.

“Nesta primeira fase vamos vacinar os mais prioritários: as pessoas residentes em estruturas para idosos, profissionais de saúde e profissionais do sector social que prestam cuidados. Adicionalmente, porque vamos ter cerca de 350 mil doses de vacina nesta primeira fase, vamos incluir as grávidas”, explicou Graça Freitas.

A partir de 19 de Outubro, a vacinação irá abranger os restantes grupos de risco, como pessoas com 65 ou mais anos de idade e doentes crónicos.

Cálculo do excesso de mortalidade deve ter em conta factores prováveis

Relativamente aos dados sobre o excesso de mortalidade no país, o representante do INSA, Baltazar Nunes, explicou que esse cálculo “deve ser realizado tendo em conta o factor provável para esse excesso”.

“Calcular um total de óbitos durante um período e subtrai-lo à média dos últimos cinco anos é um indicador, mas é um indicador frágil na perspectiva de perceber quais os factores associados a esse aumento de mortalidade”, justificou.

Baltazar Nunes esclareceu que “a forma como variou a mortalidade neste período de tempo apresenta claramente picos” que correspondem a três períodos: gripe, covid-19 e onda de calor. “A mortalidade aumentou e depois decresceu”, concluiu.

"Temos de viver de forma diferente"

Questionada sobre os ajuntamentos à entrada das escolas e as novas regras para o regresso às aulas, Marta Temido admitiu que as medidas implementadas têm um “efeito claro ao nível do nosso bem-estar psicológico e também têm outros efeitos”. “Nada disto é fácil, são adaptações que são feitas na nossa vida quotidiana”, indicou.

Graça Freitas acrescentou que “nenhuma das medidas é tomada de ânimo leve”. “Enquanto sociedade não temos escolha. Neste momento só temos duas opções: ou corremos um risco maior de nos infectarmos ou, se não quisermos correr um risco tão grande, não havendo risco zero, temos de adoptar uma enorme quantidade de novas precauções. Temos de viver de forma diferente”, afirmou a directora-geral da Saúde.