Ana Gomes: “Marcelo não é pessoa que possa ser apoiada por socialistas”

“Quero ser a candidata dos ciganos, dos africanos, das pessoas de pele de qualquer cor, dos gays, das minorias, quero ser a candidata desses todos”, apontou Ana Gomes durante a primeira entrevista desde que oficializou a sua candidatura a Belém, à RTP.

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LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

Ana Gomes criticou Marcelo Rebelo de Sousa – apesar de ter feito um balanço “globalmente positivo” do mandato do Presidente –, bem como o facto de o Partido Socialista (PS) não ter ainda posição face às presidenciais, naquela que foi a sua primeira entrevista após apresentação de candidatura às eleições presidenciais de 2021 esta quarta-feira à noite, à RTP. 

“Este país precisa de uma presidência diferente”, começou por dizer a candidata independente, referindo que entrou na corrida a Belém para debater e para ganhar.

Apesar de achar que o mandato de Marcelo foi “globalmente positivo”, a socialista não poupou críticas ao professor. Começou por referir o plano de Costa Silva para a recuperação económica do país devido à pandemia de covid-19, do qual o Presidente “está completamente ausente” – “vemos o Presidente a falar de questões do quotidiano [e não destas coisas], ainda por cima num momento em que temos tantos desafios pela frente”. A aparição do Presidente em questões “banais” foi o que mais motivou as críticas da candidata que considera que Marcelo tem de se “preservar para os momentos importantes”.

Além do mais, Ana Gomes pensa que o actual Presidente não é pessoa que possa ser apoiada por socialistas”. As diferenças entre os dois são grandes: “Eu sou progressista, ele é conservador, eu defendo um Estado Social, o professor tem uma visão mais assistencialista”. 

"É inaceitável” que PS ignore as presidenciais

Quanto ao silêncio do PS em relação às presidenciais, a democrata relembra que quando o seu campo político “se dividiu ou se desinteressou foram eleitos os presidentes da direita”. “Nesta conjuntura [referindo-se à ascensão da extrema-direita] é inaceitável [que o PS ignore este assunto].” 

“Eu acho que as eleições para um órgão unipessoal como é a Presidência da República não podem ser desprezadas ou postas atrás das eleições para um clube de futebol”, acrescenta.

Ana Gomes afirma que esperou pela decisão do PS, mas que como ela não chegou, decidiu avançar com a sua candidatura que, ainda assim, define como “apartidária”. Não deixa de se apresentar como socialista, mas diz que é “sobretudo democrata” e que o faz, em parte, pelos jovens.

Apesar de não ter o apoio oficial do seu partido até ao momento Ana Gomes refere que já recebeu várias mensagens de pessoas de dentro e fora do partido a apoiar a sua candidatura. Publicamente, uma das figuras que já apoiou Ana Gomes foi Isabel Soares, filha de Mário Soares, apoio esse referido pela candidata na entrevista. 

Quanto às sondagens mais recentes afirma que “valem o que valem”, mas lembra que Mário Soares, na corrida contra Freitas do Amaral, tinha ainda menos intenções de voto – 8%. 

“Os populistas são os inimigos da democracia”

No que se refere às acusações de populismo, que muitas vezes lhe são dirigidas, Ana Gomes desvalorizou, dizendo que é “uma pessoa que acredita nas instituições democráticas” e que as quer salvar. “Os populistas, e sobretudo os de extrema-direita, são inimigos da democracia, são inimigos do 25 de Abril, querem destruir as instituições democráticas, eu quero salvá-las.”

Antes de acabar a entrevista, a socialista defendeu-se dos ataques de André Ventura. “Chamar a alguém cigano não é insulto. É uma medalha de honra, quero ser a candidata dos ciganos, dos africanos, das pessoas de pele de qualquer cor, dos gays, das minorias, quero ser a candidata desses todos. A minha candidatura é para contrariar os projectos que querem dividir os portugueses – que é o projecto da extrema-direita.” 

Houve ainda tempo para falar de Rui Pinto, que considera ter feito um “serviço público”, da situação entre António Costa e Luís Filipe Vieira, que critica abertamente, e ainda para elogiar o discurso desta quarta-feira de Ursula von der Leyen.

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