PS não comenta candidatura de Ana Gomes, mas há socialistas que estão a reagir

Paulo Pedroso já escreveu nas redes sociais: “Temos candidata.” PS oficial não comenta anúncio de candidatura.

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Ana Gomes no congresso do PS Rui Gaudencio

A direcção nacional do PS não quis comentar, nesta terça-feira, o anúncio da candidatura de Ana Gomes, que é militante socialista e foi eurodeputada do partido. Mas há outros socialistas que já reagiram. No Twitter, Paulo Pedroso congratulou-se pelo nervosismo que o anúncio causou ao líder da extrema-direita. Henrique Neto entende que é uma candidatura vencedora e que terá amplo apoio na sociedade. Daniel Adirão exorta o PS a apoiar Ana Gomes. E o deputado Carlos Pereira avançou que não votará na socialista.

“Não via o líder da extrema-direita tão nervoso como hoje há muito tempo. Que tenha ido desbragadamente ao saco dos estereótipos misóginos e racistas é revelador. Está com medo da adversária. E tem boas razões para estar”, escreveu o ex-ministro do PS (que entretanto se desfiliou) Paulo Pedroso, reagindo ao comentário de André Ventura, que considerou a adversária como “a candidata cigana". Ainda durante a madrugada, depois de o PÚBLICO ter avançado a notícia, Pedroso reagiu: “Temos candidata.”

Em declarações ao PÚBLICO, Daniel Adrião, que tem assento na comissão política do PS, desafia o PS a mobilizar-se “para derrotar o candidato da extrema-direita e debelar uma séria ameaça para a democracia, unindo-se” no apoio a Ana Gomes. “António Costa, enquanto líder do PS, e a direcção nacional têm agora o imperativo moral e político de tudo fazer para derrotar André Ventura, propondo aos órgãos nacionais do partido, o apoio oficial a Ana Gomes”, defende. 

Criticando o “ataque torpe e lamentável” de André Ventura à socialista, Adrião diz que o deputado do Chega "receia que ela lhe desmonte o argumentário racista, sexista e homofóbico”. 

Na rádio Observador, Henrique Neto, que já foi candidato presidencial independente em 2016 e foi também deputado eleito nas listas do PS, considerou “uma aberração que o partido de Mário Soares apoie o actual Presidente sem discussão democrática”. Sobre Ana Gomes, disse: “Considero-a mesmo uma candidatura potencialmente vencedora.

Para o empresário, “Marcelo Rebelo de Sousa parte com alguma vantagem”, mas é preciso não esquecer que o país está a viver “uma crise complexa, que se vai agudizar até às eleições, que o actual Presidente da República é visto com muito carinho mas também como alguém que sempre esteve ao lado do Governo" durante a crise.

Além de criticar o “seguidismo” de Marcelo em relação à governação, Henrique Neto afirmou que a candidatura de Ana Gomes é “um ar fresco que surge na política portuguesa para quem não se revê no actual Presidente nem em André Ventura”.

Outras vozes

Carlos Pereira, deputado do PS eleito pela Madeira, também reagiu ao anúncio, dizendo que não apoiará a sua candidatura. “Não voto Ana Gomes. Não sei o que fará o meu partido mas não apoiarei Ana Gomes”, escreveu na rede social Facebook.

E explicou as razões: “Não votarei numa candidata que está sempre do lado fácil, simplificando os argumentos para amplificar os ‘seus chavões’, ignorando deliberadamente a complexidade da vida real. Não votarei em alguém que faz do julgamento público arbitrário o seu cartão-de-visita. Não votarei numa pessoa que atrai votos manifestando superioridade moral a todo o custo, por vezes sem fundamento.”

Indiferente aos candidatos presidenciais que se vão perfilando mostra-se o presidente do PSD. Questionado no Porto sobre a profusão de candidaturas à esquerda, Rui Rio limitou-se a responder que “as pessoas são livres de se candidatar, é como entenderem”.

Sobre o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ainda não ter anunciado a sua intenção face à recandidatura, Rio compreende: “Percebe-se que quem está no exercício da função queira adiar o mais possível [um possível anúncio de recandidatura] para não haver confusão entre Presidente e candidato”, referiu, considerando ser diferente a situação de candidatos já assumidos a Belém, que precisam de tempo para a sua afirmação.

Sem comentar directamente a candidatura de Ana Gomes, o líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, recordou que a direita não tem um candidato, mas tem um Presidente. “Percebo esta agitação à esquerda à procura de um candidato, porque o que é verdade é que a direita não tem um candidato, mas tem um presidente: Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito com o apoio do CDS e do PSD”, disse na sede do partido.

Já Jerónimo de Sousa, questionado sobre a candidatura da antiga eurodeputada socialista, limitou-se a dizer que regista a notícia. “A nossa preocupação é o papel que a nossa candidatura, que vai ser anunciada dentro em breve, vai propor, nomeadamente na defesa dos trabalhadores”, afirmou após uma visita à Escola Artística António Arroio.

O secretário-geral comunista acrescentou que a candidatura do PCP deverá ser apresentada “talvez no dia 12” deste mês.