A imagem de <i>Rabbit Hole</i> faz lembrar o emblemático robô HAL 9000, de <i>2001: Odisseia no Espaço</i>, um símbolo da relação entre o ser humano e a tecnologia
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A imagem de Rabbit Hole faz lembrar o emblemático robô HAL 9000, de 2001: Odisseia no Espaço, um símbolo da relação entre o ser humano e a tecnologia Victor Mosquera/ The New York Times

Quem Pode, Pod: Rabbit Hole

Não sabes o que ouvir? Este é um dos podcasts que estamos a seguir. Em 2019, um jornalista do The New York Times tentou perceber como a internet está a mudar — e a mudar-nos enquanto sociedade. Rabbit Hole é uma viagem pelos cantos mais escondidos da web, numa altura em que esta se torna cada vez mais povoada.

No século XX, o teórico canadiano Marshall McLuhan afirmou que “o meio é a mensagem”. Ou seja, a forma como uma mensagem é passada depende do meio que se utiliza para o efeito. Numa altura em que fake newsfilter bubbles, algoritmos, hashtags e outros termos fazem cada vez mais parte do nosso dia-a-dia, o meio nunca foi tão importante na divulgação da mensagem como agora.

Foi com esta ideia de compreender a mensagem que navega através de um meio (a internet) que Kevin Roose, do The New York Times, criou Rabbit Hole. Neste podcast, Roose tenta perceber como a internet mudou e como nos está a mudar. Para isso, foca-se no caso concreto de Caleb Cain, um jovem adulto sem objectivos de vida concretos que encontra no YouTube uma forma de escapar da realidade. Ao navegar pela rede social, Cain tem interacções que vão desde música clássica até indivíduos ligados à chamada alt-right (direita alternativa) norte-americana.

Alguns dos nomes que Caleb Cain consome surgem associados a sites pró-Trump e de extrema direita. Além disso, também teorias da conspiração, como o QAnon, surgem no histórico de pesquisa do norte-americano. A maioria destas histórias já tinha sido publicada numa reportagem do mesmo autor, em 2019. No entanto, segundo o mesmo, “contá-las em áudio dá-lhes uma vida nova”. 

Em Rabbit Hole, Kevin Roose acaba por navegar pelos recantos mais escondidos da internet, ilustrando a forma como as nossas pesquisas influenciam aquilo com que acabamos por nos cruzar online

Vale a pena escutar os nove episódios (cada um dura cerca de meia hora). Além disso — e apesar do ângulo diferente — estas histórias ligam-se com as que são relatadas no documentário O Dilema das Redes Sociais, que se estreou no Netflix no início do ano.

Texto editado por Ana Maria Henriques

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