Johnny Almeida, criador do projecto <i>Poesia Cocó</i>
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Johnny Almeida, criador do projecto Poesia Cocó DR

Poesia Cocó: a “comédia da saudade” dos anos 90 sobe ao palco do Ferro, no Porto

Ainda te lembras de onde estavas quando o Éder marcou “o golo”? Sabes de cor os genéricos dos desenhos animados dos anos 90? Johnny Almeida, do Poesia Cocó, tem um espectáculo de “comédia de saudade” que chega ao Ferro Bar, no Porto, a 19 de Setembro.

A 19 de Setembro, sábado, declama-se Poesia Cocó no Ferro Bar, no Porto. O evento, de entrada livre, convida a discussão de “coisas banais” da memória colectiva das pessoas, destacando a sua importância. “A vida não é só Saramago e Tame Impala. Também tem folhetos do Pingo Doce e músicas do Tony”, pode ler-se no comunicado do projecto, que também é um podcast e quer determinar “a quantidade de sentidos que se conseguem tirar de algo aparentemente sem significado”.

Ao P3, Johnny Almeida, copywriter numa agência de publicidade, explica que tudo partiu de uma intenção de “brincar com as coisas que fogem da literatura e da poesia”, expondo as banalidades da vida “como se na verdade fossem poemas”. O conceito diferencia-se de outros actos de comédia por não abordar temas, mas sim tentar incluir referências culturais e linguísticas populares no género literário, ridicularizando-os e reflectindo sobre o seu significado poético. São exemplo disso lugares memória comuns, como “o genérico das Navegantes da Lua, o golo do Éder ou o Taras e Manias”.

Direccionado para um público-alvo “dos 25 aos 30 e muitos” anos, o Poesia Cocó é produto de uma nostalgia geracional: a “reminiscência em relação ao passado”, em particular aos anos 90. O jovem autor do projecto, 31 anos, chama-lhe uma “comédia de saudade” com a qual os jovens se relacionam directamente, o que torna “muito fácil brincar com eles quando há essa identificação”.

“A matéria-prima são textos que estão na memória colectiva das pessoas: podem ser excertos de telenovelas ou de boletins noticiosos, coisas de que as pessoas se lembrem. Podem ser desenhos animados. Aquelas frases que são lugares-comuns, do género ‘o problema não és tu, sou eu’”, prossegue Johnny. “Essa é a matéria-prima e depois finjo que isso são poemas.”

Contudo, não é apenas poesia cómica. É um espectáculo multidisciplinar interactivo com stand-up comedy e storytelling, que até inclui uma batalha de trava-línguas feita com shots de vodka no final. Ao longo da sessão há pessoas que são convidadas a participar — seja para declamar textos, seja para entrar nos jogos.

O projecto começou há dois anos, “de uma forma muito experimental”, em Aveiro, cidade de onde é natural. Embora tenha começado por ser uma iniciativa colectiva, é apenas Johnny quem orienta, agora, o conceito. Estreou-se em podcast e, desde então, transitou para um formato de espectáculo ao vivo, contando já com cinco sessões concretizadas, a última das quais em Março último. Johnny prevê mais episódios do podcast com convidados, apesar da realização frequente de espectáculos ser, por ora, o foco principal.

Texto editado por Ana Maria Henriques

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