Covid-19 dispara em Vila do Conde sem aperto de restrições

A cidade e as freguesias de Guilhabreu, Mindelo e Árvore são as zonas mais afectadas. Visitas a lares estão suspensas.

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Autarquia atribui casos ao relaxamento da população adriano miranda

Depois de Vila do Conde ter registado 61 casos de infecção por covid-19 em apenas uma semana – valor superado apenas por Lisboa e Sintra – o alarme soou nos paços do concelho, forçando uma reunião de emergência com a delegação de saúde. Porém, não houve alterações significativas às medidas impostas pelo estado de alerta. A receita para mitigar o aumento de casos foi dada nesta quarta-feira de manhã pela presidente da câmara Elisa Ferraz. Por agora, o tratamento passa por acções de sensibilização, pelo adiamento da reabertura dos centros de convívio e pela suspensão de visitas a lares de idosos e unidades de cuidados integrados.

Neste momento, estas medidas são o que a autarquia considera serem necessárias numa fase em que este concelho do Grande Porto regista 173 casos activos. Desde o início da pandemia Vila do Conde registou quase meio milhar de casos de infecção pelo novo coronavírus - já o município vizinho, Póvoa de Varzim, registou mais 29 casos também no período de uma semana. Mas a autarca admite que ao longo do tempo, dependendo da evolução dos números, possam ser tomadas medidas suplementares.

Mais casos importados

A causa para esta subida acentuada registada até 10 de Agosto, acima dos valores registados até fim de Julho, não é clara. A líder do movimento independente NAU adianta que haverá uma relação com o foco de infecção detectado no início de Julho na fábrica de conserva Gencoal, em Caxinas, onde foram contabilizados mais de 15 casos. Garante a ex-socialista que este surto já está controlado. Porém,, admite, podem existir outros casos importados. Afirmando ter acesso a informação fornecida pela delegação de saúde relativamente a cadeias de transmissão que possam existir, a autarca não revela, no entanto, mais pormenores.

Preocupação suplementar para o concelho prende-se com o incumprimento da quarentena por parte de três munícipes “já identificados” pelas autoridades. Elisa Ferraz não sabe ainda se neste grupo com idades entre os 36 e os 42 anos há doentes ou se estarão obrigados a confinamento por terem contactado directamente com outras pessoas infectadas. “Se não estiverem infectadas é desobediência. Se estiverem é crime”, sublinha.

Mas para a autarca vilacondense há outros motivos possíveis para o crescimento dos números de infectados. Com o levantamento de algumas restrições entre o estado de emergência e o estado de alerta Elisa Ferraz acredita que “as pessoas começaram a pensar com menor intensidade no problema”. Mas o “problema”. insiste, é “altamente intenso”, havendo quem não cumpra as regras. Por isso, atribui às “idas a restaurantes e esplanadas” parte da responsabilidade pelo aumento dos números de infectados.

Queixa de falta de comunicação

Vila do Conde, Guilhabreu, Mindelo e Árvore, acompanhando o facto de serem zonas com maior densidade populacional, são, por esta ordem, as freguesias onde surgiu a maior parte dos infectados. A autarquia prefere não revelar os números por freguesia, por estarem em constante evolução.

Esses números foram partilhados nesta segunda-feira com os presidentes das juntas de freguesia em reunião realizada por videoconferência, três dias depois de a câmara ter conhecimento dos mesmos através da delegação de saúde. Diz Elisa Ferraz que a câmara está a trabalhar em parceria com as autoridades de saúde e com as autarquias do concelho. “Desde o momento zero contactei todos os presidentes da junta dando conta do problema e das estratégias a seguir. Desde o início que os presidentes da junta estão a ser envolvidos neste trabalho que está a ser feito”, garante.

Contactado pelo PÚBLICO, Isaac Braga, que chegou a presidente da junta de Vila do Conde concorrendo pelo movimento independente de Elisa Ferraz, afirma, contudo, que muito do que sabe sobre a evolução da doença no concelho tem-lhe chegado pela comunicação social. “Desde o início da pandemia só fui chamado para duas reuniões, uma em Março e esta agora há dois dias”, atira o autarca da freguesia onde surgiu, no mês passado, o foco da fábrica de conservas. Isaac Braga desvinculou-se do movimento da actual presidente da câmara em Fevereiro por se sentir “ignorado” pela autarquia. Considera agora que, desde essa altura, pouco mudou: “Este é mais um sinal semelhante ao que acontece noutras matérias”, afirma.

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