Em transe

Pedro Costa merecia o Leopardode Ouro em Locarno 2000. Recebeu-o 19 anos depois, com Vitalina Varela. Um belo acto de justiça poética.

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Num tempo em que os realizadores não reconheciam qualidade nem dignidade ao digital, Costa tomara a decisão de filmar com uma pequena câmara digital, sozinho, durante dois anos

Em Agosto de 2000, apanhei um avião para Milão e subi de comboio até à neutra Suíça, três horas de viagem por lagos azulados e montanhas. O cenário é tão idílico que nos obriga a sair da realidade. Senti-me como se estivesse a caminho do sanatório de A Montanha Mágica, de Thomas Mann, mas em vez disso cheguei a outro lugar que nada tinha a ver com o mundo dito “normal”.