Bento XVI está “gravemente doente”

Com 93 anos de idade, Joseph Ratzinger sofre de uma infecção que o mantém muito debilitado, segundo o seu biógrafo oficial.

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Bento XVI abdicou em 2013 Reuters/POOL New

Bento XVI está esta “gravemente doente” e “extremamente frágil”, segundo o seu biógrafo oficial, Peter Seewald, que no sábado se encontrou com o papa emérito no Vaticano. Segundo as informações de Seewald à imprensa alemã, Joseph Ratzinger contraiu uma infecção viral, denominada zona, que causa erupções cutâneas dolorosas e é relativamente comum nas pessoas idosas.

Apesar de o seu pensamento e memória continuarem lúcidos, a sua voz é já “praticamente inaudível”, ainda segundo o biógrafo, que falou com o jornal alemão Passauer Neue Presse. O seu último encontro com aquele que foi o único Papa a resignar ao cargo em mais de 500 anos de história ocorreu numa altura em que está a ser preparado o lançamento de uma nova biografia do antigo líder da Igreja Católica, que deverá ocorrer em Novembro.

Com 93 anos de idade, Ratzinger voltou a aparecer nos jornais quando, em Junho, se deslocou à sua aldeia natal, na Baviera, junto à fronteira da Alemanha com a Áustria, para se despedir do seu irmão, Georg Ratzinger, que viria a falecer uns dias depois. Foi a sua primeira deslocação para fora de Itália, desde que resignou ao cargo, e, na altura, o alemão terá aproveitado para revisitar os locais onde passou a infância. 

Antes de ter sido eleito Papa, em 2005, tinha então 78 anos de idade, Ratzinger fora colaborador próximo do polaco Karol Wojtyła. Chamavam-lhe, aliás, “o teólogo de cabeceira” de João Paulo II. De resto, o seu peso na Igreja Católica decorre, tanto como do seu pontificado, do trabalho enquanto prefeito para a Doutrina da Fé, que liderou durante 24 longos anos.

O seu pontificado foi, aliás, relativamente curto - sete anos e oito meses –, mas ainda assim pautado por inúmeras polémicas, desde a indignação causada pela insistente condenação dos casamentos homossexuais à declaração da inutilidade dos preservativos como forma de travar a disseminação do VIH, passando pelo célebre escândalo Vatileaks, quando o seu mordomo pessoal divulgou documentos que atestavam a corrupção no Vaticano.

Aliados aos abusos sexuais cometidos por membros da Igreja que se percebeu terem tido uma escala inédita durante o período em que o alemão liderou a Igreja Católica, estes episódios estavam bem presentes quando, no dia 11 de Fevereiro de 2013, Ratzinger se declarou incapaz de prosseguir com a missão e resignou ao cargo.