Miguel Oliveira cai na primeira curva e Quartararo volta a vencer

Toque de Bradley Binder provoca queda do português logo no arranque da corrida de MotoGP. Maverick Viñales e Valentino Rossi completaram o pódio do Grande Prémio da Andaluzia

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Miguel Oliveira foi retirado de maca, mas não sofreu lesões graves LUSA/ROMAN RIOS

Depois de ter conseguido a melhor qualificação da sua carreira na categoria de MotoGP, com o quinto melhor tempo, a infelicidade voltou a assombrar Miguel Oliveira. Poucos segundos depois da partida para o Grande Prémio da Andaluzia, o português foi tocado por Brad Binder logo na primeira curva, sofreu uma queda e foi obrigado a desistir. Fabio Quartararo voltou a vencer em Jerez e reforçou liderança do campeonato. É, para já, a grande sensação da temporada.

Oliveira, que partiu da segunda linha da grelha, perdeu uma excelente oportunidade para lutar por um lugar entre os primeiros. “Depois de ver a corrida, podia ter terminado facilmente no top 5 ou no pódio”, lamentou no final o piloto de Almada, de 25 anos.

“Tive azar, não havia nada que pudesse ter feito para evitar a queda. É a primeira curva, toda a gente está a tentar ganhar posições, pelo que é normal que às vezes se meça mal o ponto de travagem”, explicou. Com este desaire, Miguel Oliveira ocupa a 13.ª posição da classificação, com os oito pontos conquistados na corrida de estreia.

Novo Márquez?

Há cinco anos, durante os testes de pré-temporada de Moto3 no circuito de Jerez, o nome de um jovem francês, de apenas 15 anos, começou a ser murmurado com insistência nos bastidores da classe inicial de MotoGP. De tal forma, que o site oficial do mundial de velocidade, sempre ansioso por encontrar novos talentos, deixou uma pergunta no ar: “Fabio Quartararo é o novo [Marc] Márquez?”

Ainda que prematura na altura, tendo em conta que o piloto espanhol acabara de fazer apenas 21 anos e estava ainda longe de somar os actuais oito títulos mundiais, a questão é hoje bem mais pertinente. Nos testes de Jerez de Fevereiro de 2015, o estreante Quartararo foi imbatível, culminando a sua exibição com a volta mais rápida de sempre com uma Moto3 no circuito espanhol. Tal como Marquez, apresentava-se como um comilão de recordes e cedo o apelidaram de “El Diablo” nas pistas.

Apesar de todas as reconhecidas qualidades, chegou à categoria rainha na temporada passada sem ter conquistado nenhum título nas classes inferiores de Moto3 e Moto2. E, na realidade, festejou apenas um triunfo numa corrida da classe intermédia, já em 2018.

Esteve também muito perto de subir ao primeiro lugar do pódio em Moto3 em 2015, mas foi superado por Miguel Oliveira em Assen, no GP da Holanda. O português alcançaria o segundo triunfo na carreira, com os dois pilotos a cortarem meta lado a lado, com uma diferença de apenas 0,066 milésimos.

Quando os dois ascenderam à categoria principal, em 2019, o piloto português trazia francamente mais currículo. Ambos ocuparam lugares em equipas-satélite, onde permaneceram esta época.

Ao serviço da poderosa Yamaha, Quartararo começou finalmente a demonstrar que a pergunta do site da MotoGP em 2015 poderia fazer algum sentido. Não conquistou o Mundial de MotoGP no ano de estreia, como o fez o arrebatador Márquez, mas deu muito nas vistas. Subiu sete vezes ao pódio, cinco delas com o segundo lugar.

Encerrou o ano com a quinta posição no Mundial, depois de ter amealhado 192 pontos. Já Oliveira, com menos argumentos competitivos na KTM, o melhor que conseguiu foi um oitavo posto e 33 pontos, que o deixaram no 17.º lugar da classificação.

Numa segunda época muito atípica devido à pandemia do coronavírus (que obrigou a juntar algumas corridas nos mesmos circuitos para evitar deslocações e potenciar contágios), Fabio Quartararo, mostra-se um piloto mais maduro e consistente. Neste regresso a Jerez, o seu nome já não é murmurado. É aclamado. Voltou ao lugar mais alto do pódio este domingo, uma semana após ter celebrado a primeira vitória da sua carreira neste mesmo circuito na corrida de estreia de 2020. Em ambas arrancou da pole position.

Lidera o Mundial com 50 pontos, mais dez do que o espanhol Maverick Viñales, que foi segundo este domingo, depois de ultrapassar Valentino Rossi já na fase final da corrida. Dois pilotos da equipa oficial da Yamaha (que fez o pleno no pódio) que o francês manteve a uma distância confortável durante toda a corrida.

“É uma sensação incrível alcançar esta segunda vitória consecutiva e quero agradecer à equipa e também à minha família. A estas horas já devem [família] estar com os copos!”, brincou.

Com apenas duas provas disputadas, Quartararo já cavou um fosso considerável para Márquez, actual detentor do título, o sexto na classe rainha (2013, 2014, 2016, 2017, 2018 e 2019). O espanhol teve um grave acidente na prova de estreia e não conseguiu recuperar a tempo de voltar a correr em Jerez.

Mas continua a ser cedo para que a pergunta de 2015 tenha uma resposta.