Hospital de Santo António com fachada limpa e todo o “esplendor” em 2021

No dia em que assinalaram os 250 anos do lançamento da primeira pedra do edifício, a Santa Casa da Misericórdia anunciou um investimento de meio milhão de euros para limpar a fachada do hospital.

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A Santa Casa da Misericórdia do Porto vai investir meio milhão de euros na limpeza do Hospital de Santo António, que este ano cumpre 250 anos do lançamento da primeira pedra do emblemático edifício do Porto. A intervenção foi anunciada oficialmente neste aniversário, assinalado nos jardins do hospital com um concerto da Banda Sinfónica Portuguesa, que quis também homenagear os profissionais do Serviço Nacional de Saúde que combatem a covid-19.

“É com um sentimento de enorme alegria que estamos a assistir à celebração dos 250 anos do lançamento da primeira pedra do hospital, que foi construído para dar resposta à cidade do Porto e que hoje continua a dar essa resposta”, salientou o o provedor da Santa Casa da Misericórdia, António Tavares, em declarações à Agência Lusa. 

A limpeza do edifício representa um investimento da Santa Casa mas conta também com alguns mecenas e com a própria Câmara do Porto. “Graças à ajuda de alguns parceiros, vamos conseguir limpar a fachada e devolver o esplendor daquele edifício. Dizer que ele está ali, que é uma instituição da cidade, que foi feito por gente da cidade e que é um hospital da cidade”, acrescenta António Tavares, destacando a “missão de serviço público” cumprida por aquele hospital.

A fachada do hospital de Santo António, há muitos anos enegrecida, nunca foi limpa. A intervenção, que deverá ficar pronta já em 2021, vai ser liderada pela Cooperativa dos Pedreiros do Porto. Depois de concluída essa limpeza profunda, a fachada passará a estar iluminada durante a noite. 

A estrutura hospitalar, construída em terrenos desocupados do Largo do Professor Abel Salazar, foi inaugurada em 1824 e por ali passaram vítimas de epidemias como a gripe espanhola e a peste bubónica. O edifício com arquitectura de John Carr nunca foi executado na totalidade, pois a dimensão e custos da proposta do inglês eram demasiado elevados. Os primeiros anos de construção do hospital ficaram marcados pelas invasões francesas, entre a década de 1770 e o início do século XIX, e apenas dois terços do projecto foram efectivamente executados. Pouco a pouco, ainda assim, o Santo António foi-se afirmando como o “hospital da cidade”. 

A Santa Casa da Misericórdia do Porto “ergueu e consolidou” o Santo António e mesmo depois de o Estado ter assumido a gestão do hospital, após a revolução de 1974, a Santa Casa continuou a ser a curadora do espólio artístico e cultural desta instituição. Entre as mais de 1000 peças que fazem parte do inventário do hospital, expostas no edifício, existe pintura, escultura, artes decorativas, mobiliário e cerâmica.