Pablo de la Rosa/Twitter
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Pablo de la Rosa/Twitter

Há uma bandeira arco-íris gigante (e de croché) numa rua de Córdova

Uma rua de Aguilar de La Frontera está agora coberta por uma gigantesca bandeira arco-íris para assinalar o Dia do Orgulho LGBT. Foi costurada por 13 mulheres de Córdova durante o confinamento.

Espanha estava mergulhada no confinamento. As ruas de Córdova encontravam-se vazias. Obrigadas a permanecer em casa, no pequeno município de Aguilar de La Frontera, Carmen Romero e as suas vizinhas decidiram então coser máscaras para colaborarem na luta contra a covid-19. Mas a luta não ficou por aqui – pelo contrário, podemos dizer que apenas começou.

Esta segunda-feira, as 13 costureiras terminaram uma enorme bandeira de croché no âmbito da celebração do Dia do Orgulho LGBTIQ+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero, intersexo, queer e outras identidades), que se assinala a 28 de Junho. A bandeira mede mais de 50 metros de comprimento – agora, cobre uma rua da cidade, disseminando uma mensagem de igualdade em tempos conturbados. 

A iniciativa popularizou-se quando Pablo de la Rosa, filho da vereadora de Igualdade e Bem-Estar de Córdova, Carmen Zurera, publicou fotos no Twitter do momento em que a bandeira foi pendurada, a 19 de Junho. Neste momento, o tweet tem quase 70 mil likes e mais de 9 mil partilhas. Ao P3, Pablo conta que a sua mãe tinha um conjunto de actividades planeadas para o Dia do Orgulho LGBT, mas viu-se forçada a cancelá-las perante o surto de covid-19. 

“A ideia original era colocar guarda-chuvas com as cores LGBTIQ+”, confessa Pablo, numa mensagem enviada via Twitter. “Mas havia muitas mulheres a costurar máscaras que já não eram necessárias, por isso a minha mãe propôs-lhes coserem uma bandeira.” As mulheres espanholas, muito ligadas à tradição, sugeriram então utilizar lã sintética e a técnica do croché, criando assim uma “herança de igualdade que poderá permanecer gerações na cidade”, explicou, por seu turno, Carmen Zurera ao El País

No projecto, estiveram envolvidas 13 voluntárias do grupo La Asociación Poley Fibromialgia de Aguilar, uma associação de familiares e pacientes com fibromialgia e patologia osteomuscular de Aguilar de La Frontera, que se organizaram através de um grupo de WhatsApp para tricotarem a várias mãos quatro pedaços da bandeira, cada um com 13 metros de comprimento e 2,50 metros de largura. Os materiais custaram 600 euros e foram pagos pelo município – cada mulher tinha como função fazer duas franjas de cor.

Ao fim de três meses, quando o trabalho ficou terminado, coube a Carmen Zurera e Carmen Romero unir as várias partes da bandeira. Ao El País, a primeira afirmou que tinha estado até às 2h dessa madrugada a cosê-las; a segunda revelou que foi uma “emoção” ver a bandeira dependurada. No total, foram mais de 45 horas dedicadas à confecção.

A escolha do croché constitui uma metáfora para a união das várias gerações do município. “A lenda do fio vermelho explica que estamos todos ligados de alguma forma e costurar durante todos estes meses ligou-me à minha avó, que foi quem me ensinou croché”, declarou Zurera ao periódico espanhol, referindo-se à lenda japonesa segundo a qual do nosso dedo mindinho se desprende um fio vermelho que arrasta a alma e a liga de forma profunda às pessoas. A vereadora acrescentou ainda que este projecto tinha como intuito dar visibilidade à discriminação que as pessoas LGBTIQ+ sofrem. “O objectivo era duplo”, especifica, “celebrar o Dia do Orgulho e ter uma distracção em dias de confinamento”.

Texto editado por Amanda Ribeiro

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