Iniciativa Popular de Referendo sobre eutanásia recolhe 95.287 assinaturas

Lisboa, Porto, Braga, Évora e Faro foram as regiões que se destacaram na recolha de assinaturas, assim como a Madeira.

Manifestação contra a despenalização da eutanásia (foto de arquivo)
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Manifestação contra a despenalização da eutanásia (foto de arquivo) Miguel Manso

A Iniciativa Popular de Referendo #simavida que tem como objectivo propor à Assembleia da República a realização de uma consulta aos portugueses sobre “a (des)penalização da morte a pedido” conta com 95.287 assinaturas, um número superior àquele que a lei estabelece que é de 60 mil.

Distribuídas por 11 caixas e uma pen, as assinaturas vão ser entregues pelos mandatários da iniciativa ao presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, na audiência que está marcada para as 12h30 desta quinta-feira. Das 95.287 assinaturas compiladas, 72.644 mil são em papel e 22.623 foram reunidas online.

Uma parte “interessante” das assinaturas foi recolhida em apenas um mês na Área Metropolitana de Lisboa, mas o Grande Porto também teve uma “grande adesão”. A estas duas capitais de distrito, juntam-se outras: Braga, Évora e Faro. A Região Autónoma da Madeira também se destacou na recolha de assinaturas. 

Tendo em conta o curto espaço de tempo - entre 8 de Fevereiro e 10 de Marçoe também o facto de o movimento de cidadãos não dispor de uma estrutura orgânica, o número alcançado superou “todas” as expectativas dos promotores da iniciativa que falam mesmo de um “número impressionante”.

José Maria Duque, membro da comissão executiva e porta-voz da Iniciativa Popular de Referendo, realça o envolvimento da sociedade civil neste projecto contra a eutanásia, ao mesmo tempo que lamenta que “a primeira medida mais importante que o Parlamento toma quando a vida das pessoas começa a normalizar é avançar com o processo legislativo com vista à (des)penalização da morte a pedido”.

“É triste quando há um claro movimento social contra a eutanásia”, reforça José Maria Duque, que vai mais longe: “Não conseguimos entender como é que, de repente, se passa de um Estado que deve proteger todas as vidas a todo o custo [em tempo de pandemia] para um Estado que considera que os médicos podem decidir se as pessoas morrem ou não”.

Formalmente, as assinaturas são entregues esta quinta-feira na Assembleia da República na sequência de uma conferência de imprensa na, mas a recolha de assinaturas online vai manter-se.

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