Governo prevê levantar restrições na região de Lisboa a 15 de Junho

Centros comerciais e lojas do cidadão da Grande Lisboa mantêm-se fechadas até ao 15 de Junho. Decisão final fica agendada para o Conselho de Ministros de dia 9 de Junho.

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Nuno Ferreira Santos

O desconfinamento na região de Lisboa e Vale do Tejo a continuará num ritmo diferente do do resto do país. Depois da reunião do executivo desta quinta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, deixou a decisão para o Conselho de Ministros da próxima terça-feira, dia 9 de Junho, quando prevê que haverá "condições de levantar as restrições que subsistem a partir do próximo dia 15 de Junho”, disse. A decisão final está pendente de uma nova consulta do Infarmed, que terá lugar na segunda-feira. Assim, os centros comerciais e as lojas do cidadão continuarão encerrados até essa data e o ajuntamento de pessoas na Grande Lisboa mantém-se num máximo de dez pessoas.

Desde a passada quinta-feira, a estratégia do Governo na região de Lisboa e Vale do Tejo assentou em intensificar os rastreios e o testes nas zonas onde há surtos de contaminação, bem como em sectores de actividade como a construção civil e as empresas de alta rotatividade de trabalhadores. Na semana passada ficaram também previstos planos de realojamento de emergência na Grande Lisboa.

Sobre a situação excepcional da região de Lisboa, António Costa afirmou: “Dos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa [AML], podemos concentrar-nos verdadeiramente em cinco os focos que existem e nesses concelhos, que são os mais populosos, os focos estão bem delimitados em pessoas que sobretudo trabalham para empresas de trabalho temporário ou no sector a construção civil.” Um mapeamento que permite aos médicos “direccionarem a sua actividade concentradamente para estes focos”, disse. A decisão final de abertura dos centros comerciais em Lisboa e Vale do Tejo ficou assim adiada para a próxima terça-feira, uma vez que “os próximos dias são importantes para confirmar os dados [existentes]”, admitiu.

Lisboa é o concelho com maior número de casos (2536) e o que identificou mais novos infectados nas últimas 24 horas (50). Os outros concelhos com mais novos casos são todos da região de Lisboa e Vale do Tejo: Amadora (41 novos casos), Loures (33 novos casos), Odivelas (25 novos casos) Vila Franca de Xira (20 novos casos) e Cascais (16 novos casos). O boletim da Direcção-Geral da Saúde, DGS, não tem registo de casos novos em Sintra, que na quarta-feira foi o concelho com a maior subida, com mais 45 infectados.

A região de Lisboa e Vale do Tejo voltou a ser a que concentrou o maior número de novos casos, com 309 dos 331 identificados nas últimas 24 horas. Desde Março, é a segunda região com maior número de infectados, com 12.137, contabilizando 383 mortes.

O novo adiamento vai contra as expectativas de comerciantes e da Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC). Esta associação tinha apelado ao Governo para abrir a totalidade dos centros comerciais mais cedo, assegurando que estes espaços “têm mostrado, como poucos outros, capacidade de garantir a segurança de visitantes, lojistas e colaboradores”.

Em comunicado divulgado esta quinta-feira, antes da decisão do Governo, a associação alertava para “o impacto dramático de um eventual prolongamento das limitações para todos os intervenientes nesta cadeia de valor”, destacando que os estabelecimentos comerciais na AML representam 35% do total nacional, assegurando 50% do emprego total do sector.

Tal como os centros comerciais, as lojas do cidadão na Área Metropolitana de Lisboa vão manter-se encerradas até ao dia 15 de Junho. Ainda antes da comunicação do primeiro-ministro foi publicada esta quinta-feira em Diário da República uma declaração que rectifica a resolução do Conselho de Ministros de 29 de Maio e altera a data até à qual estas lojas do cidadão permanecem encerradas: ao invés do dia 1 de Junho, como acabou por ser publicado, agora até ao 15 de Junho. Com Rosa Soares

Texto editado por Ana Fernandes

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