Metade das empresas que adoptaram teletrabalho tenciona mantê-lo

Maioria esteve em teletrabalho parcial e os gestores queixam-se da dispersão com assuntos domésticos. Mas 10% dos inquiridos viu produtividade a subir.

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rui gaudencio

Numa amostra de 954 empresas, menos de 40% tinha experiência de teletrabalho antes do confinamento imposto pela pandemia, mas 63% considerava ter condições para adoptar o trabalho à distância e, entre estas, a adopção foi quase total. O ponto mais difícil de gerir foi a dispersão dos trabalhadores com actividades domésticas e familiares, mas nem os pontos mais difíceis, nem a inexperiência da maioria, tornam este balanço negativo. Pelo contrário, cerca de metade dos gestores que aplicaram o teletrabalho nas empresas dizem estar interessados ou disponíveis em prolongá-lo.

Das 63% de empresas que podiam adoptar o teletrabalho, 92% fizeram-no. E, agora, 48% destas dizem ter intenção de continuar a ter teletrabalho.

Verifica-se, no entanto, que a maioria (74%) aplicou o teletrabalho parcial e não a todos os trabalhadores. Mesmo assim, 26% estiveram a trabalhar totalmente em teletrabalho.

Aliás, 41% dos inquiridos não via necessidade em regressar de imediato ao regime de teletrabalho conforme previsto no Código do Trabalho, o que sugere a conclusão de que o trabalho à distância foi uma solução de recurso urgente que acabou por mostrar-se útil e com resultados positivos. O regime preferido por aqueles que pretendem manter teletrabalho é dividir a semana laboral em três dias de teletrabalho e dois dias na empresa.

A percepção dos gestores é que a maioria dos trabalhadores postos em teletrabalho (57%) demonstrou uma aceitação elevada (41%) ou muito elevada (16%). No espectro oposto, 4% dos gestores dizem que os seus trabalhadores demonstraram aceitação “nada elevada”, 11% viram aceitação “pouco elevada” e os restantes 27% mencionaram uma aceitação “razoavelmente elevada”.

Para os gestores, a principal desvantagem deste regime era a dispersão dos trabalhadores com assuntos domésticos e familiares, que foi referido por 43% dos respondentes. A falta de comunicação entre equipas (30%) e a falta de controlo (15%) foram os outros factores negativos mais referidos. Os custos de infra-estrutura tecnológica praticamente não foram um problema, mencionados por somente 4% dos inquiridos, menos do que os 9% que referiram outros factores como a perda de cultura ou a falta de contacto presencial com clientes.

Pelo contrário, as vantagens mais referidas pelos gestores foram a redução de custos de funcionamento e com instalações (apontada por 27%), a motivação dos trabalhadores (26%) e um aumento de produtividade (15%). Houve 18% que referiram outra questão relevante para qualquer empresa, a capacidade de poder contar com trabalhadores mais qualificados e que não estariam disponíveis num regime presencial, por razões geográficas ou familiares.

Numa avaliação à produtividade, apenas 10% dos inquiridos dizem que esta aumentou com o teletrabalho, 43% diz que se manteve e 31% considera que é cedo para avaliar. Os restantes 16% acham que a produtividade piorou com o teletrabalho. Isto apesar de 86% considerar que os processos internos (de gestão, administrativos e suporte informático) foram facilmente executados à distância.

Após a apresentação dos resultados, Rafael Campos Pereira, membro da direcção da CIP, foi questionado sobre os dados e também sobre o facto de António Costa ter convidado o gestor da Partex, António Costa Silva, para coordenar a elaboração do plano de recuperação económico e social que o Governo vai apresentar esta semana. E, tal como já sucedeu entre partidos da oposição e outros parceiros sociais, a CIP mostra que não vê relevância nessa escolha. 

Campos Pereira afirma que os interlocutores dos empresários são “o ministro da Economia, a ministra do Trabalho e o senhor primeiro-ministro, e todos os membros do Governo” que coordenam pastas em que a CIP tem interesse.

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