Mais 14 mortes em Portugal. Número de infectados sobe 0,9%

Actualmente, registam-se 11.587 casos de infecção activos em Portugal. Foi em Lisboa que se registou a maioria dos novos casos. “O que está a acontecer em Lisboa foi o que aconteceu noutras zonas do país”, justifica a directora-geral da Saúde.

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Manuel Roberto

Portugal conta, nesta quarta-feira, com mais 14 mortos por covid-19 — o que equivale a um aumento de 1,04% nas últimas 24 horas —, somando-se, no total, 1356 vítimas. Há mais 285 casos de infecção, um crescimento de 0,9%, num total de 31.292 casos confirmados. Dos novos casos, sabe-se que 277 (ou seja, 97% dos novos casos) foram identificados na região de Lisboa e Vale do Tejo. Os dados constam do boletim epidemiológico actualizado diariamente pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Sabe-se, ainda, que 18.349 pessoas foram dadas como curadas, mais 253 pessoas do que na terça-feira. Estão internadas 510 pessoas e, dessas, 66 estão em unidades de cuidados intensivos (são menos cinco casos do que na terça-feira).

Actualmente, registam-se 11.587 casos de infecção activos em Portugal (valor calculado depois de subtraído o número de mortes e de recuperados ao total de caso confirmados).

A taxa de letalidade global cifra-se, nesta quarta-feira, em 4,3%, de acordo com o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales. A taxa de letalidade acima dos 70 anos é de 16,9%. 

Desde o dia 1 de Março foram realizados mais de 770 mil testes de diagnóstico em Portugal, afirmou o secretário de Estado António Lacerda Sales. “Já foram feitos em Maio mais testes do que no mês de Abril”, explicou, dizendo que “a situação [de testes com resultado positivo] não é igual em todo o país”. No total nacional, desde o dia 11 de Maio, “a taxa de casos positivos foi sempre inferior a 5%”.

“O que está a acontecer em Lisboa foi o que aconteceu noutras zonas do país”

A região norte continua a ser aquela que mais casos soma desde o início de Março: são 16.703 casos confirmados. A seguir surge a região de Lisboa e Vale do Tejo, com 10.055 casos positivos. Olhando para a informação disponível por concelhos, percebe-se que Lisboa continua a concentrar o maior número de casos (2254), seguida de Vila Nova de Gaia (1553) e Porto (1349).

A região de Lisboa e Vale do Tejo manteve uma tendência nesta quarta-feira ao ser a zona com a grande maioria dos casos diagnosticados de infecção. A 25 de Maio, Lisboa tinha 7% de testes positivos; no Norte do país, a percentagem é de 4%; no Centro, 1%; no Algarve, 2%. Na Madeira, Açores e Alentejo, a percentagem é de 0%, disse António Lacerda Sales. Ainda que em termos percentuais essa percentagem seja de 0%, há 256 casos confirmados no Alentejo, 135 nos Açores e 90 na Madeira.

Sobre o maior número de casos positivos dos últimos dias ter sido registado na região de Lisboa e Vale do Tejo, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirma que “o que está a acontecer em Lisboa foi o que aconteceu noutras zonas do país”. “Há circulação do vírus” pelo país, disse, propagação essa que “é diferente segundo as localidades”. Também a resposta difere porque “as populações não são todas homogéneas” e depende da resposta dada pelas autarquias, polícias e Segurança Social.

Graça Freitas esclareceu ainda que a maior parte destas pessoas tem sintomatologia ligeira e tem de ficar na sua habitação. “O que determina ficar em casa a recuperar é o estado clínico, que neste caso tem sido positivo porque são adultos jovens.” A prioridade para já é “procurar activamente casos positivos e os contactos próximos de um caso”. Ainda assim, para que sejam tratadas em casa, tem de haver “um conjunto mínimo de habitabilidade”. 

Quanto à utilização de transportes públicos, a directora-geral da Saúde diz que as medidas em curso acabam por ser “processos de aprendizagem, de observação do que se vai passando”. “Algumas coisas poderão ser melhoradas, como haver mais cadência de transportes ou as pessoas esperarem por outro transporte”, disse. “Não sendo perfeito, é de aprendizagem.”

Em relação aos casos de covid-19 confirmados em bairros sociais, a directora-geral da Saúde afirmou que a testagem e o confinamento dependem da “dinâmica da doença e da circulação do vírus”. “Não é por se tratar de um bairro social que se confina todo o bairro”, asseverou Graça Freitas. Ainda que as pessoas sejam informadas das vantagens de fazer o teste, “não é o teste que determina a necessidade de confinamento obrigatório. Mesmo sem teste, a autoridade de saúde pode determinar o confinamento de alguém que tenha estado em contacto próximo” com alguém infectado.

António Lacerda Sales lembrou ainda que o vírus SARS-CoV-2 “é um vírus democrático, atinge toda a gente independentemente da condição social”.

Desconfinamento “parece ter corrido bem”

O secretário de Estado da Saúde acredita que têm sido respeitadas as informações e directrizes, mas que é preciso “manter esta mensagem de cautela”. “As duas anteriores fases de desconfinamento parece que correram bem, mas há sempre imprevisibilidade no decorrer do surto”, afirmou  daí que não queira antecipar quaisquer decisões. Disse ainda que haverá uma nova reavaliação na quinta-feira e referiu que tudo isto são “avaliações e não balanços”. “Vamos esperar a altura certa” para fazer balanços, afirmou.

“Apesar de tudo, a nossa tendência é de facto para decrescer”, acrescentou a directora-geral da Saúde, Graça Freitas. “Com as cautelas que temos tido sempre, tudo aponta para que a incidência de novos casos esteja a reduzir-se”, afirmou, argumentando que “isso não pode descurar a nossa atenção e as nossas medidas” e que o princípio deve ser sempre o da precaução. E terminou: “Só quando a pandemia acabar é que podemos relaxar a nossa atenção.”

Há mais de 5,6 milhões de casos positivos em todo o mundo, mais de 350 mil mortes e 2,3 milhões de recuperados.

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