Há mais de 17 mil recuperados e 30% das consultas adiadas foram remarcadas

Desde o início do surto, foram contabilizados 30.623 infectados e morreram 1316 pessoas. Já foram dadas como curadas 17.549 pessoas.

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LUSA/Kirsty Wigglesworth / POOL

9844 recuperados da infecção por covid-19 nas últimas 24 horas. O dado apresentado neste domingo pela Direcção-Geral da Saúde é um valor diário máximo desde o início da pandemia, embora já esperado, devido à recontagem de doentes recuperados já avançada no sábado pela ministra da Saúde, Marta Temido. O total de recuperados chega assim aos 17.549.

No capítulo das mortes, Portugal somou, no último dia, 14 óbitos, mais um do que na última actualização. Este valor evidencia uma relativa estabilidade no panorama epidemiológico, com Portugal a registar valores de mortes semelhantes nos últimos dias, segundo dados do boletim da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Nos casos confirmados, os valores mantêm-se, também eles, estáveis. Neste sábado, contam-se 152 novas infecções, menos do que na actualização anterior. A ministra da Saúde, Marta Temido, avançou que “desses 152 casos novos, não há nenhum no Alentejo e Algarve”. “São 14 no Norte, sete no Centro e 131 em Lisboa e Vale do Tejo, que continua a ser o nosso foco principal de trabalho e atenção​”, detalhou.

Em matéria de internamentos regista-se 536 pessoas – 78 em cuidados intensivos –, um valor salutar: são menos 14 do que no último registo. O número de casos activos no país fica, neste domingo, nos 11.758.

Numa análise detalhada aos óbitos, 1146 das 1316 vítimas mortais estão acima dos 70 anos - cerca de 87%. O relatório dá conta da morte de 115 pessoas entre os 60 e 69 anos, 39 com idades entre os 50 e 59 anos, 15 entre os 40 e os 49 anos e uma vítima mortal entre os 20 e os 29 anos.

Nota, ainda, para a análise do Ministério a uma amostra de 80% dos novos casos detectados de 13 a 21 de Maio. Entre os 1504 casos analisados, há detalhes a destacar: 50% dos novos casos eram sintomáticos e 33% eram assintomáticos, 80 eram profissionais de saúde (25 assistentes operacionais e 14 enfermeiros) e 48% dos casos eram mulheres.

Lisboa e Vale do Tejo é região problemática

Lisboa é o concelho com mais casos detectados (2177), seguido de Vila Nova de Gaia (1552) e do Porto (1347). Há outros quatro concelhos com mais de mil casos identificados: Matosinhos, Braga, Gondomar e Sintra.

Sobre o foco na região de Lisboa, com problema localizado particularmente na Azambuja, a DGS diz que está a ser feita investigação. “À medida que se se fazem testes encontramos mais casos positivos. Há 109 casos na Sonae. Sobre estes 109, há a referir que estão todos bem. Apenas um internado, mas estável”, actualizou Graça Freitas, directora-geral da Saúde, antes de abordar o trabalho de investigação.

“Está a ser feito rastreio de contactos comunitários. Sobre as entidades empregadoras há reuniões no sentido de estas organizarem bem as pausas laborais e as entradas e saídas. São fenómenos complexos e multivariados. Qualquer medida que seja tomada tem de ser multivariada nos vários espaços de trabalho nessas empresas. Os inquéritos epidemiológicos são verdadeiras investigações policiais, para se perceber quais são os pontos críticos do processo [do dia a dia do trabalhador]. E sempre que encontramos um caso positivo, essa pessoa é retirada do circuito”.

Quanto a Setúbal, a dirigente de Saúde atribuiu o aparecimento de novos casos de contágio a “pequenos focos”. “Alguns aconteceram em domicílio, por causa da entrada no domicílio de pessoas de outros ambientes, e também há pequenos focos em locais públicos e outros “que estão localizados e controlados”, em lares. “Também há a questão das obras, porque são sítios onde circulam trabalhadores de várias origens”, acrescentou, para sublinhar que “não há um grande surto em Setúbal, mas pequenos clusters e pequenos focos em vários contextos”.

Ventiladores são problema

O ponto central da conferência de imprensa acabou por ser a confirmação de que existem problemas com os ventiladores, uma informação já avançada pelo PÚBLICO. “Há um conjunto de equipamentos de um modelo que revelou que não era aquele que os médicos entendiam como mais adequado e isso está a ser resolvido”, adiantou Marta Temido, ministra da Saúde.

E detalhou: “A circunstância de avaliarmos os equipamentos que adquirimos é normal em contexto covid ou não covid. E não foi abandonada. Como normalmente pode haver falhas, aqui também. Tudo o que adquirimos foi de acordo com as indicações técnicas. Todos os ventiladores têm certificado CE. Os aparelhos que chegam são sujeitos a processos de testagem e verificação, formais e operacionais. Quando são distribuídos, não há nenhum que seja colocado a funcionar sem ser testado. Quando algum hospital reporta desconformidade, os equipamentos são recolhidos e são feitos contactos com os fornecedores, para correcção ou substituição dos equipamentos ou mesmo resolução da situação contratual. Não há nenhum equipamento em unidade de cuidados intensivos que não tenha sido sujeito a controlo técnico”.

Por fim, a ministra avançou que “ainda faltam chegar ventiladores”, mas não soube detalhar a quantidade. “São bastantes”, afiançou aos jornalistas.

Nota, ainda, para duas informações relevantes. No âmbito hospitalar, Marta Temido avançou que “cerca de 30% das consultas e cirurgias já foram remarcadas” e, no âmbito desportivo, tanto a ministra como a DGS pediram mais tempo para confirmarem a data concreta de abertura dos ginásios.

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