PCP faz depender a Festa do Avante! de consulta à DGS. “Que até lá não nos doa a cabeça”

Jerónimo de Sousa refere ofensiva ideológica contra os trabalhadores e diz que os comunistas são o mais decisivo obstáculo.

Revolução dos Cravos
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Jerónimo de Sousa na sessão do 25 de Abril no Parlamento daniel rocha

O PCP faz depender a realização da Festa do Avante!, no início de Setembro, de um parecer favorável da Direcção-Geral da Saúde, disse na tarde deste domingo Jerónimo de Sousa, depois de comunicar as resoluções do Comité Central do partido que esteve reunido durante este fim-de-semana.

“O Comité Central avaliou a preparação [da festa do Avante!] nas condições actuais e as medidas de protecção sanitária”, disse o secretário-geral do PCP. “Estamos a quatro meses, mas com a garantia de que, como noutras festas anteriores, das primeiras entidades a que recorremos é sempre a Direcção-Geral da Saúde para garantir as condições sanitárias”, assegurou

“Faremos a festa se estiverem reunidas as condições para a fazer, disso não abdicamos, mas em quatro meses... que até lá não nos doa a cabeça”, precisou.

Na resolução do Comité Central, foi saudada a realização de acções de massas. “O 25 de Abril e o 1º de Maio apontaram o caminho”, leu Jerónimo.

Recorde-se que na manhã deste domingo, o Presidente da República, lembrou que a Festa do Avante! não é feriado, estabelecendo uma diferença entre esta iniciativa do PCP, que decorre dentro de quatro meses, com as evocações do 25 de Abril, a comemoração da Revolução dos Cravos, do 1º de Maio, o dia do trabalhador, e do 10 de Junho, dia de Portugal.

“O 25 de Abril, o 1º de Maio e o 10 de Junho são cerimónias oficiais, são feriados, pelo que deviam ser celebrados simbolicamente, o 10 de Junho, cuja organização depende do Presidente da República, vai ser celebrado simbolicamente”, destacou depois de ir às compras no mercado municipal da Ericeira.

Marcelo destacou que cabe às autoridades sanitárias, “em função da situação sanitária vivida num determinado momento, dizerem o que é possível e o que não é possível fazer” e isso “tem de valer para todos, o que se disser vale para A, para B, para C, para D, para E”.

“Há várias instituições que organizam as suas iniciativas, e a avaliação sanitária há de valer da mesma maneira para todas as iniciativas”, reforçou, observando: “Não me parece que o vírus mude de natureza de acordo com a natureza das iniciativas”.

Depois da concentração da CGTP na Alameda Afonso Henriques, em Lisboa, no dia do trabalhador, o Presidente da República assinalou que, apesar de esta ter sido permitida no decreto que estabeleceu o estado de emergência, esperava uma iniciativa em outros moldes. Mais simbólica.

A análise dos comunistas à situação política do país realizada pelo Comité Central é dura, bem como de alertas os passos a dar na economia na fase de pós pandemia. 

“O estado de emergência foi útil para o capital”, é uma das conclusões, no âmbito da denúncia de uma ofensiva ideológica contra os trabalhadores e de novos patamares de exploração, da qual “o PCP é mais decisivo obstáculo”.

Os comunistas denunciam um branqueamento das políticas de direita, do PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega, na qual englobam, “pelas suas opções”, o Partido Socialista. 

“A função, mais importante condição para a retoma económica, é a defesa do tecido económico e garantia da defesa dos salários, das pensões e dos rendimentos dos trabalhadores e do povo”, leu o dirigente comunista. 

Neste ponto, o PCP alerta para a transferência dos recursos públicos para o capital monopolista que levou Jerónimo de Sousa a referir-se ao caso do Novo Banco. “Como se admite, numa altura destas, que se verifique uma transferência desta envergadura?”, interrogou-se. E respondeu: “Dando ali, falta noutro lado, com certeza.”

O Comité Central sublinhou a necessidade de defender o Serviço Nacional de Saúde, reforçando-o com meios humanos e técnicos, de acordo com o Plano de Emergência para a Saúde, já apresentado pela bancada comunista no Parlamento.

Por fim, as políticas de Bruxelas para reactivar a economia e travar o desemprego não merecem o apoio dos comunistas portugueses. “A ausência de respostas adequadas da União Europeia não responde às necessidades de financiamento e empurra as pessoas para o endividamento”, critica a  declaração. 

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