Marcelo tinha ideia mais simbólica para 1.º de Maio e reconhece que “surto não desapareceu por milagre”

A União Europeia tem de “ser rápida e decidir em grande”, assinala o Presidente da República.

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Presidente da República recorda a Bruxelas que é a hora de actuar LUSA/MÁRIO CRUZ

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reconheceu esta segunda-feira que tinha uma ideia “mais simbólica” para se assinalar o 1.º de Maio quando abriu a porta à comemoração da data na última renovação do estado de emergência.

“A minha ideia era mais simbólica e mais restritiva. Não era desta dimensão e deste número”, declarou o chefe de Estado, falando em entrevista por telefone à Rádio Montanha, da ilha do Pico.

E prosseguiu: “Confesso que quando pensei na regra pensei numa cerimónia mais simbólica, mais restritiva, menos ampla, do tipo da cerimónia do 25 de Abril”.

De todo o modo, a “interpretação das autoridades sanitárias foi mais extensa, ampla e vasta” da que o chefe de Estado tinha idealizado no seu “espírito”, declarando Marcelo entender as críticas à dimensão e características do assinalar da data em Lisboa.

“Felizmente os portugueses de uma forma maioritária no resto do fim-de-semana deram um exemplo de grande calma e serenidade e não embarcaram em aventuras”, acrescentou ainda.

Bom-senso e medidas sanitárias

 sobre o 13 de Maio, Marcelo considerou que as “cerimónias que a Igreja escolheu” são as que “o bom senso e as medidas sanitárias aconselham”.

“Sou o primeiro a sentir a falta de eucaristias, procissões, festas tradicionais. Mas isso por um valor maior: o direito à vida e à saúde. Isso aplica-se exactamente ao 13 de Maio”, declarou o chefe de Estado, à Rádio Montanha.

“Todos nós temos a noção de que em meados de Maio ter este número de pessoas em peregrinação era de facto o contrário do que a Igreja tem defendido e bem, a salvaguarda do direito à vida e à saúde”, disse ainda.

Surto não desapareceu

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou ainda, no dia em que arrancou o plano de desconfinamento devido à pandemia da covid-19, que o surto “não desapareceu por milagre” e tem de ser vencido.

“Ainda temos que vencer a pandemia. O surto não desapareceu por milagre”, sinalizou o chefe de Estado na mesma entrevista.

O combate à pandemia tem “corrido muito bem nos Açores, e também muito bem na Madeira e em muitos pontos do continente”, mas tal não quer dizer que se chegou ao “fim do caminho”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

 

O Presidente da República lembrou ainda o “papel fundamental” da União Europeia na resposta à covid-19, acrescentando que em causa não está uma “crise de um Estado ou de um pequeno número de estados”, mas “uma crise de todo o mundo, e dentro do mundo uma crise europeia”.

A União tem, portanto, de ser “rápida a decidir” e deve ainda compreender que tem de “decidir em grande”.

“Não é a mesma coisa decidir em Junho ou dois meses ou três meses depois. Não é a mesma coisa decidir um montante significativo ou um montante mais pequeno”, acrescentou o chefe de Estado.

À rádio açoriana, Marcelo Rebelo de Sousa declarou ainda a vontade de voltar à ilha do Pico e à região “mal passe a pandemia”.

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