Covid-19. Medicamentos contra a malária podem causar efeitos colaterais, avisa Agência Europeia de Medicamentos

“Os dados clínicos ainda são muito limitados e inconclusivos, e os efeitos benéficos desses medicamentos na covid-19 não foram demonstrados” declarou a Agência Europeia de Medicamentos.

,Hidroxicloroquina
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Reuters/YVES HERMAN

Os medicamentos contra a malária que estão a ser testados no combate ao novo coronavírus podem provocar efeitos colaterais sérios, incluindo convulsões e problemas cardíacos, alertou esta quinta-feira a Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

O regulador da União Europeia (UE) realçou que a cloroquina e a hidroxicloroquina, dois medicamentos que o presidente norte-americano, Donald Trump, entre outros, apontou como potenciais tratamentos para a covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus, são conhecidos por causar problemas no ritmo cardíaco, especialmente se combinados com outros medicamentos.

A cloroquina e a hidroxicloroquina são usadas há muitos anos para tratar a malária e doenças anti-inflamatórias como a artrite reumatóide. Além dos problemas cardíacos, os dois medicamentos também podem provocar danos no fígado e nos rins, convulsões, e baixar o nível de açúcar no sangue.

“Os dados clínicos ainda são muito limitados e inconclusivos, e os efeitos benéficos desses medicamentos na covid-19 não foram demonstrados “, vincou em comunicado a EMA, sublinhando que, como nos ensaios clínicos que testam a eficácia dos medicamentos contra o coronavírus são usadas doses mais altas do que as recomendadas, isso pode aumentar o risco de surgirem danos colaterais.

Actualmente, não existe tratamento licenciado para a covid-19, e dezenas de ensaios estão a decorrer em todo o mundo.

No início deste mês, parte de uma investigação no Brasil foi suspensa, depois de os médicos descobrirem que um quarto dos doentes que estavam a tomar cloroquina desenvolveu ritmos cardíacos irregulares perante doses aumentadas.

A EMA disse que os médicos e os doentes devem reportar quaisquer efeitos colaterais dos dois medicamentos em causa às autoridades nacionais. “Estes medicamentos não podem ser tomados sem receita e sem a supervisão de um médico”, conclui a agência europeia.

Em todo o mundo, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou perto de 184 mil mortos e infectou mais de 2,6 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Cerca de 700 mil doentes foram considerados curados.

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