Mais 35 mortes em Portugal por covid-19. Lares representam quatro em cada dez mortes

No total, há já 22.353 casos confirmados em Portugal e 820 mortes devido ao novo coronavírus.

Foto
Portugal tem 22.353 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus Manuel Roberto

O número de mortes por covid-19 em Portugal subiu esta quinta-feira para 820 — mais 35 do que na quarta-feira. Das mortes registadas, 327 foram de utentes de lares, quase 39% do total, disse a directora-geral da Saúde, em conferência de imprensa. Há mais 371 casos de covid-19, um aumento de 1,7% face ao dia anterior — o segundo menor aumento percentual desde o início do surto em Portugal (a 17 de Abril, registou-se um aumento do número de casos de 1%). No total, há agora 22.353 casos confirmados em Portugal.

A taxa de letalidade global situa-se em 3,67%. Acima dos 70 anos, a taxa de letalidade é de 13,3%. Encontram-se 1095 pessoas internadas, menos 51 do que na quarta-feira. O número de pacientes internados nas unidades de cuidados intensivos diminuiu, existindo agora 204 pessoas internadas nestas unidades. Desde quarta-feira, recuperaram mais 58 pessoas, existindo agora um total de 1201 pessoas “curadas” da doença em Portugal.

Na faixa etária entre os 20 e os 29 anos registaram-se 72 novos casos — o maior aumento desde ontem. Dos 371 novos casos de covid-19 em Portugal, aproximadamente 49,6% ocorreu em pessoas com menos de 50 anos, o que corresponde a um total de 184 novos casos nestes grupos etários. Na faixa etária entre os 50 e os 59 anos, registaram-se mais 49 casos — esta é, neste momento, a faixa etária mais afectada em todo o país.

A região Norte é a que soma maior número de casos. Nesta zona do país, há já 13.382 casos confirmados, mais 232 do que na quarta-feira. No Norte registaram-se ainda 475 óbitos, mais 21 mortes do que no dia anterior. Na região centro há 3084 pessoas infectadas e 179 mortes registadas. A região de Lisboa e Vale do Tejo conta com 101 novos casos desde quarta-feira, registando um total de 5194 pessoas infectadas e 146 mortes. No Alentejo, há 181 pessoas infectadas e mantém-se uma vítima mortal. No Algarve, registaram-se, até ao momento, 318 pessoas infectadas e 11 mortes. No arquipélago da Madeira existem 85 casos confirmados de infecção e nos Açores registam-se 109 pessoas infectadas e oito mortes por covid-19 — mais duas mortes do que na quarta-feira.

O concelho de Lisboa continua a ser o que tem o maior número de casos (1266). Segue-se Vila Nova de Gaia (com 1161), ultrapassando o concelho do Porto, que conta agora com 1099 casos (menos três casos do que o registado no boletim epidemiológico de quarta-feira).

Os dados constam do boletim epidemiológico desta quinta-feira, divulgado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS). Os registos correspondem aos dados disponíveis até à meia-noite do dia anterior.

Na quarta-feira, registou-se um total de 785 mortes por covid-19 em Portugal (mais 23 mortes do que na terça-feira) e 21.982 casos confirmados, mais 603 do que no dia anterior — o que correspondia a um aumento de 2,8%.

Das 820 mortes registadas, 327 foram de utentes de lares

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, vincou, na conferência de imprensa diária, que a maioria dos doentes com covid-19 em lares de idosos tinham recuperado da doença e que estar numa destas instituições “não é uma fatalidade”. “A maior parte das pessoas que adoeceram em lares estão hoje recuperadas e voltaram aos lares com o apoio dos médicos.”

Graça Freitas informou ainda que, das 820 pessoas que faleceram com a covid-19, 327 eram utentes de lares. O maior número de mortos nestas instituições é na zona Norte: 180 vítimas mortais. A zona Centro conta com 106 mortes, a zona de Lisboa e Vale do Tejo com 39 mortos e o Alentejo e o Algarve contam cada uma com uma vítima mortal.

Já o secretário de Estado da Saúde, António Sales, anunciou que já foram realizados 300 mil testes à covid-19. Foram testadas 27.925 pessoas por milhão de pessoas.“Estamos a falar de uma testagem superior à Noruega, Suíça, Itália e Alemanha.”

O governante apontou ainda que o número de consultas em Portugal caiu, mas que as consultas não presenciais estavam a aumentar exponencialmente. “Sabemos que há variação homóloga, do primeiro trimestre de 2020 para 2019, nos cuidados primários de saúde, de cerca de menos 6,6% de consultas, mas em relação a consultas não presenciais tivemos um aumento de 26,9% – o que significa que novas ferramentas, nomeadamente digitais, de consultas à distância e através do telefone, conseguem de facto fazer o acompanhamento de muitos destes doentes”, esclareceu.

António Sales relembrou que “o número de cirurgias estava a aumentar 12,5% em relação ao período homólogo do ano passado”. “Durante esta fase, e apesar de estarmos focados na questão covid-19, manteve-se toda a actividade de urgência”, concluiu.

"Máscaras não são a solução única"

Graça Freitas defendeu ainda o presidente da Assembleia da República (AR), Eduardo Ferro Rodrigues, que disse esta semana que não seriam usadas máscaras no Parlamento durante as comemorações do 25 de Abril. “Nenhum de nós aqui está a usar máscaras. Conseguimos, com a lotação da sala, manter o distanciamento social. Estamos a cumprir as outras regras, lavamos as mãos antes de entrar, temos soluções à base de álcool e desinfectamos as superfícies. É o que se vai passar na AR”, comparou.

A directora-geral da Saúde voltou a frisar que o uso das máscaras não é obrigatório e não deve ser confundido com um descuramento das outras normas de higiene. “As máscaras não são a solução única, senão todos os problemas da humanidade estavam resolvidos neste momento”, afirmou.

Graça Freitas sublinhou que, se estabelecimentos comerciais e instituições de ensino quiserem tornar essencial o uso de máscaras nos edifícios fechados, “podem fazê-lo”. “O que não podem é descurar todas as outras medidas”, lembrou.

António Sales não se opôs, por sua vez, à hipótese avançada pelo ministro da Ciência e Ensino Superior, Manuel Heitor, que sugeriu em entrevista ao Observador que as universidades poderiam fazer testes serológicos aos alunos para aumentar a confiança nas instituições. “Se forem testes devidamente adequados e se o objectivo for começar a avaliar a imunidade da população, nada temos a opor”, disse, acrescentando que estes testes serão importantes para mais tarde avaliar a imunização da população.