Covid-19 em Portugal. Recuperados voltam a aumentar. Morreram mais 23 pessoas

Mais 226 recuperaram da covid-19. Casos subiram 2,8%. Estão internadas 1146 pessoas, menos 26 do que na terça-feira. O número de pacientes nas unidades de cuidados intensivos também diminuiu: são agora 207 pessoas, menos seis do que no dia anterior.

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Mário Cruz/Lusa

Até esta quarta-feira foram registadas mais 23 mortes do que na terça-feira, fazendo com que haja um total de 785 mortes por covid-19 em Portugal. Há ainda mais 603 pessoas infectadas (num total de 21.982 casos confirmados), o que corresponde a um aumento de 2,8%. Mais 226 pessoas recuperaram da doença — ao todo, são 1143 pessoas “curadas”.

Dos 603 novos casos comunicados esta quarta-feira no boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS), 58,5% verificou-se em pessoas com menos de 50 anos. Foi um total de 353 casos nestas faixas etárias. Entre as pessoas com 40 e 49 anos confirmaram-se 121 novos casos de infecção, naquela que foi a faixa etária mais afectada em todo o país.

Estão internadas 1146 pessoas, menos 26 do que na terça-feira. O número de pacientes nas unidades de cuidados intensivos também diminuiu: são agora 207 pessoas, menos seis do que no dia anterior. 

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), que actualiza os números diariamente num boletim epidemiológico. Os registos que constam do boletim dizem respeito aos dados disponíveis até à meia-noite anterior.

A região norte tem mais casos do que todas as outras regiões somadas. Há nesta zona do país 13.150 casos confirmados, mais 344 casos do que na terça-feira. Registam-se ainda na região norte 454 óbitos, um aumento de 14 mortes em 24 horas. A região de Lisboa e Vale do Tejo tem mais 197 casos, elevando o total de infecções para 5093. O número de óbitos também aumentou: são agora 138 mortes.

Consta neste boletim epidemiológico a primeira morte registada no Alentejo: na terça-feira, um idoso de 87 anos infectado com covid-19. Nesta área do país, existem 176 casos de infecção. No Algarve, existem 316 casos de infecção e 11 mortes. No arquipélago da Madeira estão confirmados 85 casos de infecção, enquanto os Açores já têm seis mortes relacionadas com a covid-19 e 109 casos de infecção. O Algarve e os Açores mantêm o número de mortes de terça-feira. 

O concelho de Lisboa é o que tem o maior número de casos (1169), seguido de Porto (com 1102), Vila Nova de Gaia (1062 casos) e pelo concelho de Braga (com 903 casos). 

Na terça-feira tinha sido registado um total de 762 mortes (mais 27 do que na segunda-feira) e 21.379 caos confirmados, mais 516 do que no dia anterior, o que correspondia a uma variação de 2,5%.

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António Lacerda Sales garantiu, esta quarta-feira, que Portugal tem “mais de um milhão de testes em stock Manuel de Almeida / LUSA

Taxa de letalidade global é de 3,6%

O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, referiu nesta quarta-feira, em conferência de imprensa sobre a actual situação da pandemia de covid-19, que a taxa de letalidade global em Portugal é agora de 3,6%. Acima dos 70 anos, a taxa de letalidade fixa-se nos 13%. Cerca de 86% dos casos confirmados de covid-19 estão, neste momento, a recuperar em domicílio. A percentagem de internamento é de 5,2% — 0,9% em unidades de cuidados intensivos e 4,3% em enfermaria, acrescentou António Lacerda Sales.

O secretário de Estado garantiu que Portugal tem “mais de um milhão de testes em stock, que serão distribuídos de acordo com as necessidades”, e que, se necessário, a reserva nacional de testes será reforçada. António Lacerda Sales destacou ainda que, desde 1 de Março, foram já “processadas mais de 288 mil amostras” em Portugal e que, na semana de 13 a 19 de Abril, foram realizados, em média, 11.800 testes por dia.

Desde terça-feira está disponível uma plataforma para o atendimento de cidadãos surdos, que funciona através de videochamada. As chamadas serão atendidas por seis intérpretes de língua gestual e a plataforma estará disponível “24 horas por dia, sete dias por semana”. Os cidadãos surdos podem aceder ao site do SNS24 e entrar em contacto, através de videochamada, com um dos intérpretes de língua gestual, que, por sua vez, entrará depois em contacto com os enfermeiros. António Lacerda Sales notou ainda que este serviço servirá “para assegurar a comunicação entre os profissionais de saúde e o doente surdo durante o internamento hospitalar ou em situação de isolamento profiláctico”.

Refugiados com covid-19 estão “bem de saúde”

Questionada sobre as cerca de 800 pessoas que aguardam resposta ao pedido de estatuto de refugiados e que estão alojadas em hostels e pensões em Lisboa, Graça Freitas referiu que “num grupo destes refugiados verificaram-se pessoas com sintomas”, encontrando-se actualmente 138 pessoas infectadas. Porém, a directora-geral da Saúde garante que os infectados estão todos “bem de saúde” e apresentam sintomas ligeiros.

Em relação às 185 que deveriam estar naquele hostel, estariam 175”, afirmou Graça Freitas, referindo-se ao hostel na Rua Morais Soares, onde foram detectados vários casos de infecção. As pessoas que não estavam naquele hostel “estão a ser localizadas”. “Não foram fugas, foram apenas pessoas que se ausentaram para outras instalações onde também estavam refugiados. Destes 175 que estamos a falar e que estão na OTA neste momento, 138 testaram positivo e são pessoas com uma sintomatologia ligeira e estão todos bem”, disse.

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, explicou ainda que o aumento de casos suspeitos no dia 18 de Abril se deveu ao “enorme aumento da notificação laboratorial” e sublinhou a importância de todos os médicos e laboratórios notificarem os casos no Sinave. “Este sistema foi construído para uma situação completamente diferente do ponto de vista do número de casos diários. Temos que agradecer muito aos médicos a resiliência que têm tido para o preencher. Mas não é só agradecer, é uma obrigatoriedade. Independentemente de o sistema ser pouco ou muito amigável, e já disse que vamos melhorá-lo, e de estar mais ou menos lento, todos os médicos têm obrigação de notificar no Sinave, exactamente como todos os laboratórios têm obrigação de notificar mesmo que o resultado seja negativo”, referiu.

A propósito dos lares, a directora-geral da Saúde garantiu que “o acompanhamento nos lares está a ser muito melhor do que era inicialmente” e que caso um lar, “por qualquer motivo”, não tenha “pessoal médico e de enfermagem suficiente para dar apoio aos utentes”, essa instituição é apoiada pelo agrupamento de centros de saúde da zona onde está localizada.

Mais 539 mortes, desde Janeiro, do que nos cinco anos anteriores

Graça Freitas explicou ainda que a mortalidade em Portugal é comparada “sempre com a média do quinquénio anterior, ou seja, a média dos cinco anos anteriores” e que em Janeiro deste ano verificou-se “para todas as causas e para todas as idades, menos 689 mortes do que nos cinco anos anteriores, em média”.

Em Fevereiro, registaram-se menos 580 mortes. “Do ponto vista gráfico, é um vale porque tivemos um Inverno bastante ameno, não tivemos nem frio extremo nem tivemos uma época gripal muito má. Depois em Março, para todas as causas e todas as idades, a mortalidade subiu e tivemos mais 542 casos do que a média do quinquénio de Março dos anos anteriores e até ao dia 21 de Abril, para todas as causas, tivemos mais 1166”, acrescentou Graça Freitas, sublinhando que incluem-se aqui também as mortes por covid-19.

“Desde o dia 1 de Janeiro até 21 de Abril, para todas as causas, verificou-se mais 539 mortes do que em relação aos cinco anos anteriores. Houve um pico entre o dia 24 de Março e o dia 4 de Abril, houve mais mortalidade do que é habitual na linha de base, mas que está neste momento a ser compensada. Portanto, essa mortalidade está a baixar, aproximando-se dos valores normais”, concluiu, sublinhando que “por efeito da covid-19 mas não só, desde o início do ano, o grupo etário mais afectado é o das pessoas com 85 ou mais anos de idade.

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