Número de pessoas com fome no mundo pode duplicar, alerta ONU

Perda de rendimentos e a recessão económica global podem colocar mais 135 milhões de pessoas em situação de crise alimentar.

Nações Unidas esperam um apoio entre 9,2 e 11 mil milhões de euros em 2020
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Nações Unidas esperam um apoio entre 9,2 e 11 mil milhões de euros em 2020 REUTERS/ABDULJABBAR ZEYAD

A pandemia de covid-19 pode fazer duplicar o número de pessoas que passa fome no mundo. O aviso foi feito esta terça-feira pelo Programa Alimentar Mundial da Organização das​ Nações Unidas (ONU) que alerta para a hipótese de o número de pessoas afectadas pela fome poder subir para os 265 milhões em 2020, um aumento de 135 milhões de pessoas face a 2019.

“A covid-19 é potencialmente catastrófica para milhões que já estão no limite. É um golpe para muitos outros milhões que apenas se podem alimentar se ganharem um ordenado. Restrições e a recessão económica global já dizimaram as suas poupanças. Apenas é necessário mais um choque — como a covid-19 — para os empurrar para o precipício. Temos de agir colectivamente para mitigar o impacto global desta catástrofe”, afirmou Arif Husain, responsável pela área económica desta entidade da ONU.

As Nações Unidas dizem que neste contexto de incerteza se torna vital que os programas de assistência alimentar sejam mantidos e reforçados, garantindo que são fundamentais para a sobrevivência de 100 milhões de pessoas vulneráveis.

Foi ainda divulgado, esta terça-feira, o relatório global relativo às crises mundiais de alimentos. Neste documento, a ONU explica que as restrições aplicadas ao transporte de bens aumentam os tempos de entrega e pode reduzir a disponibilidade dos bens essenciais.

As Nações Unidas esperam um apoio entre 9,2 e 11 mil milhões de euros em 2020, comparado com os 7,7 mil milhões alocados para estes auxílios no ano passado.

Dos 135 milhões de pessoas afectadas pela fome, a maioria (cerca de 77 milhões) está em países afectados por guerras e conflitos. Aproximadamente 34 milhões de pessoas estão em territórios afectados pelas mudanças climáticas e 24 milhões de pessoas são directamente afectadas pelas crises económicas.

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