Largo Residências está a acolher imigrantes com covid-19 em fase de recuperação

Colectivo artístico está a ceder os quartos a cidadãos sinalizados pelo Hospital Curry Cabral que não tenham condições de isolamento nas suas casas. Esta segunda-feira, entraram as primeiras cinco pessoas, entre as quais uma mulher grávida de 38 semanas.

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Largo Residências, no Intendente, tem capacidade para acolher entre 20 e 30 pessoas infectadas José Fernandes/Arquivo

O Largo Residências está a acolher imigrantes infectados com o novo coronavírus (SARS-Cov-2) que estejam já em fase de recuperação mas que não têm condições para fazerem um confinamento em segurança nas casas onde habitam. Habituado a receber artistas em residência, este projecto nascido em 2011 no Intendente, pela mão da associação SOU, teve de fechar os seus negócios — alojamentos e café — há quase um mês, mas decidiu que os seus quartos não poderiam ficar vazios.

“Lembrámo-nos de que seria uma pena os quartos estarem ali fechados e fizemos um primeiro contacto com a Junta de Freguesia de Arroios e com a câmara, dizendo que gostaríamos de os disponibilizar para uma situação de emergência ligada à covid-19”, diz Marta Silva, fundadora e presidente da direcção do Largo Residências

Começaram a perceber entretanto que a doença estava a entrar em comunidades que vivem “em situações habitacionais muito precárias”. Segundo conta a responsável ao PÚBLICO, houve inclusive uma sinalização do Hospital Curry Cabral junto da câmara de Lisboa a dar nota de cidadãos infectados que não poderiam cumprir o confinamento porque não tinham condições em casa para tal. “E a câmara lembrou-se do nosso apelo e juntos operacionalizámos a preparação do espaço.”

Esta segunda-feira entraram as primeiras cinco pessoas, todas imigrantes, nas quais se inclui uma mulher grávida de 38 semanas. “É comum nesta zona, e não só nesta freguesia, eles viverem muito colectivamente, dividirem casas, quartos até se estabelecerem”, nota a responsável. Ainda assim, Marta Silva esclarece que poderão aceder aos quartos cidadãos que não sejam migrantes. “H​á-de ser qualquer cidadão que esteja infectado e que seja sinalizado pelo serviço de Infecciologia do Hospital Curry Cabral e que não tenha condições de confinamento em sua casa.” 

Estão 21 quartos disponíveis, sendo que alguns são duplos, por isso poderão ser acolhidas entre 20 e 30 pessoas, que estejam já em fase de recuperação e não precisam de hospitalização.

Os serviços sociais da Junta de Freguesia de Arroios e do Hospital Curry Cabral tratarão de encaminhar as pessoas para o espaço. Serão vigiadas pelos serviços hospitalares até ser altura de repetirem os testes para serem dados como recuperados. De acordo com a Direcção-Geral da Saúde, um doente só pode ser dado como recuperado após dois testes negativos, num intervalo de tempo até 48 horas.

Segundo o Largo Residências, colaboram ainda nesta resposta o Instituto da Segurança Social (ISS) e o Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Segurança Social de Lisboa e Vale do Tejo (CCD Lisboa).

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