Campanha da RTP para construção de hospital de campanha no Curry Cabral motiva protesto de grupo de deputados socialistas

Um dos vice-presidentes do grupo parlamentar do PS no Parlamento, Carlos Pereira, critica a associação da RTP a uma campanha de angariação para um hospital em Lisboa. “Porquê em Lisboa?”, pergunta.

O deputado do PS Carlos Pereira questionou RTP por causa de campanha a favor do Curry Cabral
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O deputado do PS Carlos Pereira questionou RTP por causa de campanha a favor do Curry Cabral LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

Porquê em Lisboa? A pergunta de Carlos Pereira, vice-presidente do grupo parlamentar do PS na Assembleia da República, é dirigida à RTP que está a promover uma campanha de angariação de fundos para a construção de um hospital de campanha de apoio ao Curry Cabral.

O deputado, eleito pela Madeira, que esta semana foi protagonista de uma carta de resposta ao sócio-gerente de A Padaria Portuguesa, Nuno Carvalho, regressou à rede social Facebook para criticar a iniciativa que a estação pública de televisão está a desenvolver em conjunto com a Cruz de Malta Portugal.

“A RTP é paga por todos os portugueses e, por isso, pede a todos os portugueses que ajudem a construir hospitais, mas tem de ser em Lisboa”, escreve Carlos Pereira, dizendo que Lisboa “tem menos de um quarto dos infectados com covid-19”. Facto, continua que até podia ser “despiciendo” para esta decisão, mas, insiste, é “determinante” perceber quais as razões para a parceria ser para Lisboa e não para outro local do país.

“Nem vou especular as razões, mas não posso deixar de apelar à quem tem responsabilidades para corrigir estas orientações e estas iniciativas que não ajudam (porque esta é uma entidade pública paga com dinheiro de todos) na justiça e na mobilização genuína que devemos apelar aos portugueses”, considera o deputado socialista, cujo texto mereceu, sabe o PÚBLICO, a concordância de todos os coordenadores regionais do grupo parlamentar do PS em São Bento: Francisco Rocha, 

Hugo Costa, Norberto Patinho, Pedro Carmo, Luís Testa, Pedro Coimbra, Hugo Oliveira, Jorge Gomes, Ricardo Pinheiro, Isabel Rodrigues, José Rui Cruz, Luís Graça, Santinho Pacheco, José Manuel Carpinteira e Ricardo Leão.

Num texto, que titula “Alerta RTP: Alguém que coloque ordem no voluntarismo duvidoso”, Carlos Pereira defende o envolvimento da RTP, mas considera que o produto da angariação de fundos deve ser entregue ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), para ser alocado onde for mais necessário. “É no SNS que devemos confiar, acreditando que tomará todas as opções a pensar no país como um todo”, sublinha, defendendo que mesmo em tempos de “ansiedade” propícios a “excesso de voluntarismo”, as instituições devem saber manter um “mínimo de racionalidade”.

A campanha em que Carlos Pereira “tropeçou” assenta numa chamada telefónica de valor acrescentando, com um custo de 1€ + IVA para um número de telefone que está a ser publicitado pela RTP. “#TODOSPORUMHOSPITAL é uma iniciativa da Cruz de Malta Portugal, em conjunto com a RTP, que para além de querer prestar uma homenagem a todos os Profissionais de Saúde e da Segurança Nacional, procura angariar donativos para a construção de um Hospital de Campanha com mais de 200 camas para reforço à unidade de referência no combate ao Covid-19 – o Hospital Curry Cabral em Lisboa”, explica a estação pública, indicando o Iban de uma conta solidária para onde podem ser feitos donativos.

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