ISPUP, INESC TEC e PÚBLICO lançam “Diários de uma Pandemia”

A intenção deste projecto é fornecer ferramentas de trabalho aos cientistas para poderem avaliar, monitorizar e estudar os comportamentos dos portugueses no decurso do novocoronavírus.

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Hospital de Santo António, no Porto. Nelson Garrido

O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e o PÚBLICO lançam esta terça-feira o projecto “Diários de uma Pandemia” e desafiam os leitores do jornal a participar na sua elaboração. O objectivo deste projecto é conceder ferramentas de trabalho aos cientistas para poderem avaliar, monitorizar e estudar os comportamentos dos portugueses no decurso da covid-19.

Os leitores do PÚBLICO são por isso convidados a registarem-se numa plataforma acessível no site do jornal ou em diariosdeumapandemia.inesctec.pt e responder a inquéritos diários que serão enviados pelos cientistas do ISPUP. As respostas são sujeitas a estrita confidencialidade e destinadas em exclusivo a tratamento científico.

“Neste momento decisivo da nossa vida em sociedade, em que enfrentamos a pandemia da COVID-19 em Portugal, várias perguntas precisam de resposta urgente, nomeadamente para se poder compreender o curso da epidemia, a forma como afeta as nossas vidas, em que medida nos preparamos para o que está aí, mas sobretudo para saber como nos queremos organizar para o que virá depois da pandemia e para o que serão as epidemias do futuro próximo”, explica Henrique Barros, director do ISPUP.

Essas perguntas implicam questões que “preocupam os cidadãos, os cientistas, os profissionais de saúde e os decisores políticos, nos vários níveis a que as decisões têm de ser tomadas”, acrescenta o cientista que, com Raquel Lucas, vai liderar o projecto. Para esse efeito, “teremos um Conselho de Cidadãos integrando um variado conjunto de pessoas com as suas vivências, preocupações e olhares distintos, que nos ajudem a ler a informação que ao longo do tempo acumularemos e que nos ajudem a navegar o imenso conhecimento que vai ser gerado, pensando como nos revela o que vivemos e como contribuirá para novas perguntas e novas soluções”.

O dia-a-dia

Em concreto, é pedido aos leitores do PÚBLICO (e a todos os cidadãos) que “diariamente respondam a um pequeno conjunto de perguntas sobre isolamento e interacções sociais, recurso a serviços de saúde e comerciais, bem como ocorrência de sintomas ou doença confirmada”. Uma vez por semana, “vamos também juntar uma breve avaliação do bem-estar”. Para Henrique Barros e Raquel Lucas, “a evolução da pandemia depende de cada um de nós. A forma como cada cidadão, no seu dia-a-dia, se adapta ao risco de infeção e às políticas públicas de resposta é fundamental para determinar o curso da pandemia e o sucesso das estratégias de contenção ou mitigação”. Por isso, “participar nesta investigação é um contributo que se partilha com toda a sociedade e, em última análise, um gesto solidário para com aqueles que nos são mais queridos”.

Para lá do tratamento imediato dos dados fornecidos nas respostas e da sua influência no conhecimento da evolução da pandemia e da ajuda que o seu teor presta na definição de políticas de saúde pública, o projecto “Diários de uma Pandemia” pretende também salvaguardar a memória destes dias. “É que a escrita descrevendo a pandemia, que cada um de nós faz através das respostas em que fornece - sinais da sua saúde física e das suas emoções - constitui depois de analisada uma voz singular nos seus tons múltiplos: a voz e a memória de nós como comunidade. A isso também se chama saúde pública”, explica Henrique Barros.

Para Amílcar Correia, director-adjunto do PÚBLICO e gestor deste projecto no jornal, o apoio a esta iniciativa “inscreve-se na nossa preocupação de acrescentar utilidade à informação que produzimos e de contribuir para que ajude na procura de respostas à crise sanitária que vivemos”. O PÚBLICO, acrescentou, “está sempre aberto a cooperar com a ciência portuguesa em projectos que sejam do interesse dos cidadãos e este é, em concreto, particularmente importante dado o contexto que vivemos”.

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