Ilustrações de Miguel Feraso Cabral

Anatomia da catástrofe

O nosso tempo cultivou o imaginário dos fins e dos colapsos e pôs-se a adivinhar o aspecto com que eles surgiriam, mas nunca previu que um novo vírus, até bastante benevolente em relação a outros anteriores, seria o agente da catástrofe em curso.

Que significa hoje uma situação de catástrofe, como aquela que estamos a viver por causa de um vírus que ganhou uma dimensão de pandemia? E porque é que o princípio de precaução que obriga a distinguir o risco da catástrofe deixou de funcionar e, a partir de um certo grau de medidas destinadas a criar imunidade contra todo o risco, a imunização torna-se, ela própria, uma catástrofe ou, pelo menos, é sentida como tal? E de que índices se alimenta o sentimento apocalíptico?