Opinião

Cartas ao director

Morrer com dignidade

Já numa outra ocasião em que o tema voltou à discussão pública após a morte da professora da Universidade do Minho Laura Ferreira vos escrevi para que fosse lembrada. Ignoraram.

Creio que é justíssimo lembrámo-la, a ela, que tanto lutou para que a cada um fosse dada a possibilidade de escolher como desejaria morrer. Ela lutou, sofreu muito, morreu e, se escolheu a morte como a desejava, não sei. Tê-lo-á feito em sigilo como só então podia. Cá dentro.

Outros aproveitarão da sua luta. Que não foi, por isso, inglória.

Maria Praia, Porto

A lei da rolha

O presidente do PSD Rui Rio decidiu aplicar a lei da rolha aos seus deputados na bancada parlamentar, uma medida que demonstra bem que quem manda é o presidente e que tudo tem de ser controlado em prol da coerência política (…). O maior defeito de um político é não ter abertura para escutar e estar atento a novas ideias. O conceito do “eu quero, posso e mando” destrói ideologias, projectos e cria atritos internos que machucam a essência da verdadeira democracia e, sobretudo, fragilizam o partido (…). Com estas exigências, é caso para dizer que estamos numa ditadura presente mas camuflada!

Ana Santos, Vilar de Andorinho

Prémios na TAP

A transportadora aérea que dizem ser ainda portuguesa continua a ser um verdadeiro caso sui generis no que toca a lucros e prejuízos. A saudosa e talentosa Ivone Silva, que teatralmente tão bem interpretou a Olívia patroa e a Olívia costureira, encerrava em si mesma o que significava “quem me comeu a carne, agora que me coma os ossos”. Mas na TAP o teatro não é o mesmo. Uns improdutivos, mesmo não havendo lucros, premeiam-se uns aos outros, enquanto o Estado português é chamado a colmatar os prejuízos, sendo o de agora na ordem dos 105 milhões de euros. Isto é, enquanto uns voam livremente sem nada pagar e recebendo grandes vencimentos, os restantes, em terra, pagam com língua de palmo as viagens que nunca fizeram ou farão.

José Amaral, Vila Nova de Gaia

A Justiça no fundo

A corrupção estende os tentáculos até ao seio da Justiça! O ex-presidente do Tribunal da Relação de Lisboa é suspeito de vários crimes. Há mensagens trocadas através de telemóveis que o denunciam. Escolheu juízes que assinaram acordos favoráveis a alegados criminosos. Esta gente deve ser impoluta e dar exemplos de isenção e comportamento moral irrepreensível, mas assim não é – as más práticas repetem-se com frequência...

Caso se confirme judicialmente aquele desvio com contornos criminosos, a punição deve ser exemplarmente agravada, porque de um membro com elevado cargo de responsabilidade na Justiça se trata! Que confiança tem o comum cidadão nesta Justiça? Urge esclarecer esta nódoa, já! Sob pena de ficar descredibilizada e bater irremediavelmente no fundo!

Vítor Colaço Santos, São João das Lampas