Felipe Oliveira Baptista usa Tigres de Júlio Pomar na estreia para a Kenzo

O tigre é um emblema recorrente da casa de costura Kenzo e o designer português não quis abandonar a temática, dando-lhe outra perspectiva na colecção apresentada no âmbito da Semana da Moda de Paris, que decorre até 4 de Março.

O designer português Felipe Oliveira Baptista foi anunciado como director artístico da Kenzo em Julho do ano passado
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O designer português Felipe Oliveira Baptista foi anunciado como director artístico da Kenzo em Julho do ano passado Reuters/PIROSCHKA VAN DE WOUW
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O designer português Felipe Oliveira Baptista estreou-se hoje na passerelle parisiense à frente da marca Kenzo e definiu as tendências para o próximo Outono/Inverno, inspirando-se na série Tigres de Júlio Pomar.

Anunciado como director artístico da Kenzo em Julho do ano passado, esta foi para Felipe Oliveira Baptista a primeira Semana da Moda de Paris à frente da marca francesa, criada em 1970 pelo designer japonês Kenzo Takada. Na sua estreia, Oliveira Baptista lembrou o percurso do fundador, mas também o seu.

“Duas personalidades misturam-se e os seus pontos em comum dão origem a um guarda-roupa convergente. Unidos na cultura, o diálogo acontece em Paris, a capital-fantasia da moda”, pode ler-se no comunicado de imprensa distribuído no desfile desta quarta-feira.

Assim, o designer português usou as suas origens como “as memórias de Verão passadas no Açores”, mas também uma fotografia da lua-de-mel dos seus pais em Moçambique para criar esta colecção. No entanto, a inspiração que dominou a visão de Felipe Oliveira Baptista foi a série Tigres, realizada por Júlio Pomar nos anos 1980.

O tigre é um emblema recorrente da casa de costura Kenzo e o designer português não quis abandonar a temática, dando-lhe outra perspectiva. Na publicação, distribuída durante o desfile de moda, constam os desenhos de Júlio Pomar cedidos pela sua fundação.

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Nas roupas, muitos modelos, tanto femininos como masculinos, mostraram vestidos, camisolas e camisas com os tigres de Júlio Pomar, estampados nos mais diversos tecidos, na sua maioria mais pesados por se tratar de uma colecção a pensar nas estações mais frias do ano.

“Estes são vestidos-pintura, tirados do trabalho do pintor neo-realista Júlio Pomar. Um pintor lisboeta, que viveu em Paris durante muito tempo e é considerado como uma das grandes figuras da arte portuguesa do século XX”, pode ainda ler-se no comunicado.

O designer português, que esteve até 2019 à frente da marca francesa Lacoste, usou o verde tropa, o cinzento, o pastel, o azul e o vermelho para gabardinas, capas, sobretudos e malhas que vão estar presentes nos guarda-roupas dos próximos Outono e Inverno.

Oliveira Baptista apostou ainda nos acessórios como chapéus e malas — desenhadas especialmente para transportar garrafas reutilizáveis de água.

O desfile do português acabou em triunfo, com uma ovação de pé pelos presentes no Instituto Nacional de Jovens Surdos, onde decorreu o evento.

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