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Malhão consagra López e deixa Evenepoel mais perto da vitória final

Neste domingo, o último dia de Volta ao Algarve traz um “crono” de 20km, em Lagoa, que será, provavelmente, para a consagração de Evenepoel, especialista neste tipo de etapas.

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López celebra na meta DR

Miguel Ángel López (Astana), ciclista que já fez pódio na Vuelta e no Giro, venceu, neste sábado, a etapa quatro da Volta ao Algarve, numa chegada ao Alto do Malhão que permitiu ao belga Remco Evenepoel segurar, por pouco, a camisola amarela. Ainda assim, o contra-relógio da última etapa, neste domingo, deverá ser largamente favorável ao jovem ciclista da Quick-Step, que terá, sobretudo, a concorrência do alemão Max Schachmann, também forte nos “cronos” - estão com o mesmo tempo na classificação geral.

A etapa deste sábado começou com ataques, porque teria mesmo de ser atacada. Com o contra-relógio da etapa cinco, os trepadores menos capazes no “crono” – entre eles Miguel Ángel López, Nibali, Mollema, Rui Costa ou Dan Martin – teriam de ganhar tempo na subida ao Alto do Malhão, uma escalada mais curta do que a da Fóia, de há dois dias, mas com zonas mais duras, acima dos 10% de inclinação, perfeitas para ataques explosivos.

Com base neste cenário, esperava-se, desde cedo, muitas tentativas de fuga – a etapa prestava-se a isso  e os primeiros metros foram muito movimentados, mas com pouco sucesso por parte dos aventureiros.

Só por volta dos 13 quilómetros um grupo de nove ciclistas se isolou. Cinco deles eram portugueses e de equipas portuguesas, algo já habitual na “Algarvia”, sempre uma boa montra para as formações nacionais. O pelotão nunca permitiu que a vantagem da fuga crescesse muito para lá dos dois minutos e, já nos últimos 50 quilómetros da etapa, começou a luta pelo triunfo.

Na fuga, João Rodrigues (W52-FC Porto) atacou, seguindo sozinho. Mais atrás, no pelotão, a equipa do português decidiu, estranhamente, aumentar o ritmo no grupo. A explicação dever-se-á ao bom lugar de Amaro Antunes na classificação, com a W52-FC Porto a querer “jogar em dois tabuleiros”, colocando João Rodrigues na luta pela etapa e Amaro Antunes a tentar deixar para trás rivais da classificação geral. Outro factor seria a ajuda posterior que João Rodrigues poderia vir a dar a Amaro Antunes – que já ganhou no Malhão, tal como nomes como Alberto Contador (três vezes), Richie Porte ou Floyd Landis.

A 25 quilómetros do final foi a vez de Vincenzo Nibali atacar – o italiano teria sempre de mexer na corrida – e a fuga rapidamente acabou, restando, apenas, João Rodrigues na frente. Ambos acabariam por ser neutralizados pelo pelotão.

Já nos últimos três quilómetros, na subida ao Malhão, Amaro Antunes acabou por ser o mais agressivo, inicialmente, mas mostrou-se incapaz de resistir ao trepador de nível mundial que é Miguel Ángel López, bem como Rui Costa, que também perdeu alguns segundos.

O ataque do colombiano apenas teve resposta de Dan Martin e, embora mais timidamente, do camisola amarela Remco Evenepoel e do alemão Schachmann. A vantagem de López na meta não será, porém, suficiente para o tempo que deverá perder para Evenepoel e Schachmann no contra-relógio deste domingo. O último dia de Volta ao Algarve traz um “crono” de 20 quilómetros, em Lagoa, que será, provavelmente, para a consagração do jovem belga, um dos grandes especialistas mundiais neste tipo de etapas.

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