A praça da esquina

Há que tempos que a política se não decide nas praças; há que tempos sabemos que um corte de auto-estrada tem mais impacto do que as marchas e os cânticos nas ruas.

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Álvaro Domingues

O problema que hoje enfrentamos é o de como pensar a cidade, quando, em vez de vizinhança, temos redes; quando o espaço homogéneo e estável nada mais é do que um caso limite dentro de um espaço global de multiplicidades locais conectadas; quando já há tanto tempo que o debate público se realiza em espaços virtuais; quando as ruas e praças deixaram de ser o principal local de encontro e representação. A questão está em saber se o espaço público, enquanto espaço intersubjectivo de experiência humana essencial à democracia, precisa de um tipo de espaço físico decalcado dos modelos grego, medieval, renascentista e burguês, ou se é possível realizar essa antiga relação entre civilização e urbanidade fora dos espaços da cidade europeia clássica. (1)