Torne-se perito

Predador de menores usou Fortnite para se aproximar de “inúmeras vítimas”

Homem de 19 anos residente em Salvaterra vai aguardar julgamento em liberdade, tendo-lhe sido decretado tratamento psiquiátrico.

Televisão LCD
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O jogo Fortnite Miguel Manso

A Polícia Judiciária deteve um homem de 19 anos na posse do qual foram encontrados milhares de ficheiros de imagem e de vídeo de crianças em práticas sexuais explícitas. Além disso, o indivíduo é ainda suspeito de ter abusado de um elevado número de menores, dos quais se aproximava através de videojogos online. Não foram até ao momento encontradas provas de que tivesse alguma vez tido contacto físico com as crianças.

“Conhecia os menores na sequência da interacção proporcionada pelos videojogos jogados na Internet, principalmente os multijogadores do conhecido Fortnite”, descreve a Polícia Judiciária (PJ), em comunicado.

“Privilegiando os contactos com os mais jovens, interagia depois com eles individualmente através da aplicação WhatsApp e das redes sociais Facebook e Instagram”, refere a PJ. Criada esta relação de falsa proximidade, “instava os menores a filmarem-se com o telemóvel enquanto praticavam actos sexuais de relevo, vídeos esses que depois as crianças lhe enviavam através daquelas plataformas de comunicação”.

Para dissipar o rasto destas actividades, “enviava instruções aos menores, ensinando-lhes a apagar quer a gravação dos vídeos que lhe enviavam, quer os registos digitais gerados pelas comunicações entre ele e as vítimas”. Não se limitava a usar os ficheiros para a sua própria satisfação sexual, partilhando-os com outros internautas.

Empregado comercial de profissão e sem antecedentes criminais, o suspeito desenvolvia o seu comportamento predatório a partir de casa onde continua a morar com os pais, numa freguesia do concelho de Salvaterra de Magos, distrito de Santarém. Local onde, no âmbito de busca domiciliária, foram apreendidos telemóveis e diverso material informático, designadamente computadores e discos de armazenamento externo.

“A investigação vai prosseguir no sentido de tentar identificar o maior número possível das inúmeras vítimas existentes, a partir da análise da imensidão de dados apreendidos e da realização de perícias forenses de informática”, referem também as autoridades. A investigação está a cargo do departamento de investigação criminal de Aveiro da Judiciária, uma vez que a queixa que deu origem a este inquérito partiu de pais de uma criança de dez anos residentes neste distrito.

Presente às autoridades judiciárias competentes para interrogatório judicial, o indivíduo ficou em liberdade a aguardar julgamento, muito embora esteja obrigado a apresentações diárias no posto policial da sua área de residência e proibido de usar equipamentos informáticos com acesso à Internet. Foi-lhe ainda decretada a obrigação de se sujeitar a tratamento psiquiátrico em instituição adequada para o efeito. Suspeita-se que desenvolvesse estas actividades há mais de um ano.

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